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Data de lançamento
19 Set. 2023Duração
Uma dinastia do beisebol e um desastre envolvendo discos incendiados que quase acabou com tudo. Conheça a história do retorno de Mike Veeck.
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"Não se trata de ganhar ou de perder, trata-se de aparecer".
Por mais que o filme esteja direcionado a um público específico concernente aos admiradores de baseball, é extremamente salutar registrar que toca em pontos universais, como a busca por uma administração dos times que sobreviva ao tempo, e que procure sempre por encontrar formas de se reinventar, muito provocada pela crise do capitalismo.
Assim, no lugar de focar no jogo em si, temos na verdade um estudo de caso sobre empresários gestando seus negócios, com certa dose de patrimonialismo, mas também sendo honesto nas suas intenções, por mais fofinhas que possam parecer.
Ao focar num negócio de família, vemos as artimanhas do capital em estabelecer vínculos para além do racionalismo instrumental, como se desafiando Max Weber em suas pretensas formas de "tipos ideais" voltadas a dissecar os empreendimentos corporativos. Logo, de baseball aqui só tem o pano de fundo. É a humanidade das relações que mais interessa, a herança que vem desde o avô e o peso de manter a tradição em meio a mudanças que, se não abalam em termo estruturais, podem provocar certas mudanças (a boate fechando, os camarotes se abrindo).
Abraçando a "sociedade do espetáculo" como meio de sobrevivência das empresas esportivas, o filme ganha contornos divertidos de acompanhar, inclusive fiquei com vontade de que não fosse apenas um documentário. Como cinema, acompanhar os estádios preocupados com imagens e signos linguísticos que dialoguem com a massa é como ver o capitalismo agonizando para encontrar novas formas de entreter (e espoliar). Mascotes, roupas coloridas, música. O canto da sereia sempre precisará ser entoado enquanto sobrevier o capital.
Talvez o documentário peque pela falta de foco, uma guinada para acompanhar a doença da filha e o tornando verdadeiramente emotivo marca uma passagem meio brusca, mas pensando bem, condizente com o que fora mostrado até então: a tentativa de criar laços pessoais em uma estrutura empresária e burocrática.
Mas sim, os Veecks são carismáticos a ponto de sustentar o projeto e o interesse do filme, por mais manipulativo que seja. E para quem curte o esporte, certamente o grau de envolvimento com a obra vai ser maior, se não pelo jogo em si, mas pela inúmeras referências, já que o legado dos Veecks atravessa geração.
Mesmo que a tentativa de emular uma lição e moral sobre dar uma "segunda chance" seja engolido pela dissimulação de projetos empresariais, que é a temática verdadeira do filme, ainda assim é possível extrair desse retrato verdadeiras sacadas da realidade, e se divertir à beça com o longa.
É fantástico esse documentário. 'TODOS NÓS PODERÍAMOS SER MUITO MAIS FELIZES, SE LEVÁSSEMOS AS COISAS MENOS A SÉRIO".