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Duração
Um caminhão azul, mostrado sempre em planos fixos e abertos, atravessa as autovias de uma região periférica de Paris. Ele viaja ao longo de todo o dia mergulhado na monotonia de uma atmosfera cinza e azul. Num outro espaço, intercalado a essas imagens, Duras e Depardieu lêem o roteiro de um filme: dois personagens, um homem e uma mulher. Ela, une femme déclassée, uma mulher sem pertencimento, uma dissidente. Ele, um caminhoneiro, que escuta tudo que ela diz, e vê tudo que ela vê.
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Na revisão, numa sessão universitária em que estávamos apenas eu e os dois exibidores, gostei ainda mais: sabia o que eu iria encontrar e, ainda assim, estive diante de muitas descobertas. Ao final da sessão, minha mente estava efervescente, tamanha a quantidade de narrativas possíveis, em construção e movimento imaginativo. A despeito de, sim, a reflexão literária ser dominante, é um filme com muitas provocações eminentemente cinematográficas, como os movimentos em 'zoom', os 'faux raccords' e a montagem em plano/contraplano. Quando eu estava prestes a reclamar de certa elitização (por causa do uso da trilha musical beethoveniana/diabelliana), a personagem da escritora traz à tona um válido debate sobre as reverberações culturais e alfabetizantes da luta de classes. Senti-me positivamente desafiado - e espectatorialmente "confortável" por causa disso: trata-se de um dos melhores filmes da realizadora (ainda muito subestimada), portanto! - WPC>
Percebi que nenhum processo criativo é solitário.
Continuo preferindo os experimentos de Duras em curtas.
Ótimo e problemático ao mesmo tempo... Limitado e para além de suas limitações: um filme que se afirma como tal desde a declaração inicial, em resposta à pergunta do Gerard Depardieu, mas que também se instaura como idealização projetada de um filme que só existe em nosso interior (e que guarda muitas semelhanças meta-narrativas com HIROSHIMA, MEU AMOR).
Apesar de monocórdico, está longe de ser um filme entediante: ele diverte, ele seduz, ele encanta, ele nos apaixona: Marguerite Duras é pura descoberta! (WPC>)