Fanny tem 17 anos e ainda está procurando por si mesma. Ela luta para fazer amigos. Quando ela vai para a Alemanha, ela conhece a amiga por correspondência Lena, que sonha em se envolver politicamente. Fanny está preocupada. Para agradar Lena, ela está pronta para fazer qualquer coisa.
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Em um certo momento do filme uma das meninas fala ao conversar no telefone: "Não mudou nada para mim, aqui na cidade francesa onde estou na casa da minha amiga até a arquitetura é igual da Alemanha, pra mim é tudo a mesma coisa"
Para muitos essa cena vai passar despercebida, mas ela é simbolicamente a alma do filme, pois a relação entre as duas é uma metáfora sobre a relação da França com a Alemanha e a própria construção da União Europeia. Por isso em várias cenas do filme ela ressalta do nada que ama História, percebi que o filme estava tentando dizer algo que vai além do que era mostrado.
Na abertura do filme vemos do nada ela falar "Você parece uma criança de 12 anos", aqui é o começo da relação entre as duas, de uma França vista como retraída e presa no passado, enquanto a Alemanha é vista como ativista e focada no futuro. Na cena em que Lena apresenta uma lista de protestos — que vão desde direitos LGBTQIA+ e feminismo até causas ambientais e antifascismo — e pergunta em qual Fanny quer ir, é o momento em que a alegoria política do filme se torna explícita.
A mudança de comportamento da Fanny na segunda metade do filme é um dos pontos altos da crítica social da obra. Se na Alemanha ela era apenas uma espectadora passiva (e mentirosa) tentando se encaixar, ao retornar para a França e receber a Lena em sua casa, ocorre uma inversão de papéis e uma politização real. Quando a menina alemã vai pra França ela descobre que a vida dela de ativista nunca existiu. Quando a farsa é descoberta ela se tranca no banheiro, simbolizando o individualismo e o isolamento dos países no contexto global que reinava na Europa antes da União Europeia.
O encerramento do filme é a própria existência da União Europeia surgindo, mesmo estando ainda apenas nos sonhos distantes da França e Alemanha. É por isso que a música Possession da banda KOMPROMAT é simplesmente perfeita para encerrar o filme:
(Alemão) Was seht ihr? / (Português) O que vocês veem?
(Francês) On ne voit rien / (Português) Nós não vemos nada
(Alemão) Was hört ihr? / (Português) O que vocês ouvem?
(Francês) On n'entend rien / (Português) Nós não ouvimos nada
(Alemão) Wohin geht ihr? / (Português) Para onde vocês vão?
(Francês) On ne va nulle part / (Português) Nós não vamos a lugar nenhum
(Alemão) Wer seid ihr? / (Português) Quem são vocês?
(Francês) On n'est personne / (Português) Nós não somos ninguém
(Alemão) Was gehört euch? / (Português) O que pertence a vocês?
(Francês) Alors, on possède tout / (Português) Agora, nós possuímos tudo
Língua Estrangeira é muito mais que apenas um filme de amor ou de paixões passageiras, ele é sobre o ativismo que move o mundo e uma reflexão de que quando as pessoas se unem em torno de algo o estrangeiro deixa de existir.