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Data de lançamento
29 Out. 2010Duração
No longa, Julia é uma mulher que sofre de uma doença degenerativa nos olhos. Após encontrar sua irmã cega morta, ela decide investigar o acontecido, e descobre um mundo sombrio cheio de mistérios e mortes, enquanto sua visão começa a piorar.
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O que mais me decepciona é perceber que este longa tinha potencial para ser um grande filme. Obcecado em parecer inteligente e surpreendente, o roteiro empilha reviravoltas que, no papel, até soam interessantes, mas que desmoronam assim que entram em cena. Na tentativa desesperada de criar múltiplos suspeitos, o filme recorre a artifícios absurdos e forçados e, ainda assim, entrega um vilão tão óbvio que chega a ser difícil acreditar que a produção realmente pensou que o público cairia nessas “armadilhas”.
Os personagens agem como marionetes do roteiro: tomam decisões idiotas, mudam de motivação do nada e fazem exatamente o que a trama precisa para continuar andando. Nada soa natural, nada convence. Tudo parece artificial.
Lista de furos e incoerências:
- Como um homem sozinho consegue apagar a energia de um quarteirão inteiro com tanta facilidade e sempre no momento perfeito? E como ele carregava corpos de um lado para o outro sozinho? Um corpo humano é pesado.
- O assassino é praticamente onisciente (é deus é?). Ele sabe exatamente quando agir, onde estar e o que vai acontecer o tempo inteiro.
- O conceito de “invisibilidade” nunca se decide entre o literal e o metafórico (O filme até tinha uma ótima oportunidade de explorar isso de forma psicológica, mas desperdiça completamente a ideia).
- Então a mãe do vilão fingia ser cega, ele foi embora por causa disso, e ela continuou fingindo na esperança dele voltar? (se foi por essa razão que ele foi embora?????).
- A filha do vizinho (abusador) sabia quem era o assassino e simplesmente esperou tudo desandar para resolver ajudar a Julia. Por quê criatura?
- Se o maior conflito do personagem era justamente se sentir “invisível”, por que ele se mata no instante em que finalmente é visto? (Teria sido muito mais impactante vê-lo aceitar a prisão com um sorriso no rosto, satisfeito por finalmente ter sido notado. Mais uma oportunidade desperdiçada).
As motivações são esdrúxulas, mas preciso admitir: os primeiros 30 minutos do filme realmente funcionam. Existe uma sensação genuína de mistério, e o roteiro até sugere algo sobrenatural acontecendo. O problema não é abandonar o sobrenatural; o problema é optar por uma explicação “realista” extremamente mal construída. Quando a trama precisa se sustentar na lógica, ela desmorona. O Deus Ex Machina aparece o tempo inteiro para empurrar a história adiante, enquanto o público é obrigado a aceitar absurdos sem questionar.
Apesar disso, a cena do banheiro com as cegas merece destaque. Foi, de longe, o momento mais tenso e eficiente do filme.
A cena final do universo no olhar é bem bonitinha.
Que filme ruim. Uma salada de informações que você acredita que vão fazer sentido em algo momento, mas não vão.
Fora as cenas absurdas, da protagonista sendo perseguida e vai cada vez mais afundo em lugares sombrios e reclusos para ver o possível assasino (????)
*Os Olhos de Júlia* usa a cegueira progressiva da protagonista como motor principal de tensão. O medo não vem do que aparece na tela, mas do que a câmera recusa a mostrar , rostos borrados, presenças sentidas, sons sem origem. Você fica preso na perspectiva dela, e isso é agonia das puras!
No terceiro ato entregaram o plot cedo demais esfriando o mistério, mas até lá, é um thriller muito preciso sobre uma verdade simples: o que você não consegue ver te consome muito mais do que o que está na sua frente!
Um suspense espanhol de respeito, com uma atmosfera de tensão impecável e uma atuação sensacional da Belén Rueda. O mistério realmente cativa e as reviravoltas são boas, mas o filme se estende além do necessário. Se o diretor tivesse cortado uns 20 minutos e eliminado o destaque dado ao romance, o ritmo seria melhor. O clima sombrio, contudo, faz compensar a conferida.
Suspense bom com final meio duvidoso, vale muito a assistida.