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Nos anos sessenta, Lula participa do filme underground O caminho da serpente, interrompido com a morte do diretor, vítima de overdose. Sentindo-se culpado pelo acidente, Lula enlouquece. No seu delírio, uma missão: terminar O caminho da serpente, único caminho para recuperar o eixo de sua vida. No manicômio onde é internado, conhece a psicóloga Vera que, seduzida pela peculiar história de Lula, torna-se aliada do paciente. Lula só quer filmar. Solucionar o enigma que o atormenta e que o levou à loucura. Traça, então, uma estratégia mirabolante. Aproveitando-se de uma visita da comissão de direitos humanos, consegue de Vera autorização para apresentar uma peça de teatro. Psiquiatras e comissão se reúnem, entre nervosos e admirados, para a apresentação.
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Comédia nacional, razoavelmente engraçada, com o Nuno Leal Maia.
Primeiro longa do DF a ganhar o Festival de Brasília (conquista até hoje só repetida por Branco sai, Preto Fica), Louco por Cinema consegue captar bem o espírito de terra arrasada que as produções nacionais vivenciavam na primeira década dos anos 1990, após a canetada que pôs fim a Embrafilme. Nos próprios Festivais de Brasília anteriores foi preciso descobrir obras que estavam inacabadas e financiá-las para que pudessem ser exibidas, afim de preencher a seleção do evento. O longa de André Luis Oliveira, lançado nos primeiros momentos da retomada, começa com uma premissa comum aos cineastas daquela geração. Acompanhamos Lula, interpretado por Nuno Leal Maia, que tenta finalizar uma obra que jura ter dirigido durante a década de 1970. O problema, no entanto, é que ele está em um manicômio e nunca foi diretor de nada.
Apesar de acreditar que a coincidência foi explorada no lançamento de forma proposital, o nome do protagonista não é uma homenagem ao então candidato a presidente da república nas eleições de 94, mas uma correlação com outro filme de Oliveira, Meteorango Kid - O Herói Intergalático, de 1969. No seminal filme baiano, Lula é um jovem inconsequente que entrecorta delírios de ácido com momentos galantes como estrela de cinema. Aqui, 25 anos depois, nosso herói intergalático já está decadente, perdido em um surto, mas ainda com a paixão efervescente pelo cinema. Seu plano é criar uma rebelião com os colegas de manicômio no intuito de obrigar as autoridades a reunir seus colegas de equipe para finalizar sua obra inacabada. Ele consegue isso por ajuda de sua psiquiatra Vera Cooper, um dos últimos papéis Denise Bandeira no cinema, antes de se consolidar como roteirista. A médica desafia secretários de Estado, seus superiores e até a própria sanidade porque acredita que Lula retomará a consciência ao ver seu sonho realizado.
O elenco é enorme, e há vários destaques. Enquanto os protagonistas são atores do Rio badalados nos anos 90, toda a equipe coadjuvante é preenchida por atores locais. Nomes que são figurinhas repetidas em toda essa fase do cinema brasiliense dos anos 90 e 2000 (alguns até hoje), como Andrade Jr, Gê Martú, Chico San'anna, Bidô Galvão, Guilherme Reis (que depois viraria Secretário de Cultura) e por aí vai... Era incomum, na época, ver tantos rostos brasilienses na telona, e por isso o incomum prêmio de "Melhores Atores Coadjuvantes" dado para todos eles fez tanto estardalhaço naquele festival. Havia, obviamente, um receio de isso ser mal visto pela plateia como um bairrismo, mas a reação fora contrária. Louco por Cinema foi ovacionado, merecidamente, e críticas positivas logo saíram nos jornais. Não obstante, o filme saiu como o maior vencedor, com 6 prêmios.
De certo modo, entretanto, essa obra caiu no esquecimento. Sinto que aconteceu por conta de não ter feito tanto sucesso além do festival, além de até hoje não ter tido um release digital além do VHSrip que circula aí pela internet. De fato, o filme de Oliveira padece de vários problemas, principalmente técnicos, acometidos por conta de uma difícil produção, mas seus méritos envelheceram melhor. Vejo que "Louco por Cinema" conversa bastante com o atual momento (repetido, é verdade) em que o cinema brasileiro se encontra nos dilemas de uma outra sabotagem estatal. Assim como a obra inacabada de 'Lula', esta aqui também merecia um resgate.
21/08/2018
É uma mistura de interessante com vergonhoso, eu sei lá
Embora tenha sido o grande vencedor do Festival de Cinema de Brasília, incluindo o Candango de melhor filme, não curti muito a estória que, apesar de ser uma idéia aparentemente original e nova, não fluiu muito bem durante o andamento. O filme começa até bem, tendo personagens interessantes (os loucos do manicômio), mas se torna tudo muito confuso e chato e perde-se o interesse rapidamente. A gente não sabe se ri da desgraça ou se irrita com os responsáveis que elegeram essa pérola do nosso cinema como um dos premiados de Brasília.
Um paciente em uma instituição mental, Lula, lidera uma revolta e exige uma câmera de cinema como resgate. O diretor Eugênio, que havia morrido e deixado o filme inacabado, reaparece em espírito e começa a conversar com Lula, e este lhe promete que vai finalizar o longa. Na cena final, com todos assistindo o filme no cinema, Eugênio entra pela tela e invade o próprio filme.
Constrangedor.