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Lynch/Oz explora um dos quebra-cabeças mais fascinantes da história do cinema: a simbiose duradoura entre o conto de fadas primordial da América, O Mágico de Oz, e a marca singular de surrealismo popular de David Lynch.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Falecido em janeiro desse ano, David Lynch (1946-2025), cineasta americano criador de obras icônicas e complexas dos anos 80, 90 e 2000, como a série ‘Twin Peaks’ (1990-1991) e os filmes ‘O homem elefante’ (1980), ‘Veludo azul’ (1986) e ‘Cidade dos sonhos’ (2001), era fã número 1 do clássico ‘O mágico de Oz’ (1939). A tal ponto de extrair ideais do longa de Victor Fleming para compor o seu particular cinema, cultuado por gente no mundo todo. ‘O mágico de Oz’ sempre o perseguiu a ponto de tirar seu sono. Ao assistirmos esse estonteante documentário indie, ‘Lynch/Oz’ (2022), entendemos como se deu essa relação do diretor/roteirista com o imbatível clássico. Do primeiro curta-metragem que Lynch fez, ‘The alphabet’ (1969) até seus últimos trabalhos, no caso o curta ‘What did Jack do’ e a continuação de ‘Twin Peaks’, o seriado ‘Twin Peaks – O retorno’, ambos feitos em 2017, há algo escondido de Oz ali. O doc, exibido nos festivais de Tribeca e Londres, é dividido em seis capítulos, em que cineastas (como John Waters e Karyn Kusama) e pesquisadores estudam as diversas camadas dos trabalhos de Lynch para traçar um paralelo com a concepção visual, a trama e os personagens de ‘Oz’. Das cores fortes, aos protagonistas perdidos em mundo estranho, os vilões excêntricos, a eterna melancolia, tudo em Lynch nos transporta para a terra de magia de Oz. Além dos mencionados filmes dele, outros como ‘Eraserhead’ (1977), ‘Duna’ (1984), ‘Coração selvagem’ (1990), ‘Estrada perdida’ (1997) e ‘Império dos sonhos’ (2006) possuem analogias àquela obra-prima dos anos 30, seja no sapato vermelho de personagens parecidas como Dorothy, antagonistas caricatos como a Bruxa Má do Oeste, as rodovias como a estrada de tijolos amarelos. ‘Lynch/Oz’ é imperdível, garanto. Escrito e dirigido pelo documentarista Alexandre O. Philippe, que realizou outro filme impressionante de bastidor, ‘78/52: A cena do chuveiro de Hitchcock’ (2017), em que analisa criteriosamente uma das cenas mais famosas do cinema, a do chuveiro de ‘Psicose’ (1960), que mudaria a forma de escrever histórias em Hollywood. Disponível gratuitamente na plataforma Sesc Digital até o dia 19/05. POR FELIPE BRIDA - BLOG CINEMA NA WEB
Aaaa o cinema...
Há um esforço muito grande para se confirmar a tese de influências, é como ler um trabalho científico em que o autor não tem pudor em citar referências com o intuito de convencer mais pelo argumento de autoridade mesmo. Ainda assim é muito bom de acompanhar pelo trato com as imagens, numa edição muito divertida.
E para os fãs, um chocolatinho.
Doc deixa claro a força e influência do clássico O Mágico de Oz na obra de David Lynch e na cultura e cinema americano.