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Data de lançamento
11 Maio 1931Duração
Um misterioso infanticida leva o terror a Dusseldorf. A polícia local não consegue capturar o serial killer então um grupo de foras-da-lei se une para encontrar o assassino. Capturado pelos marginais, ele é julgado por um tribunal de criminosos e é acusado de ter quebrado a ética do submundo.
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São tantas coisas! O M, o silêncio, o julgamento, a resolução, o prenúncio. Lang genial!
19/5/2026
M
Direção: Fritz Lang
Ano: 1931
Assistido em: 11/04/2026
Como um profundo entusiasta sobre o estudo dos serial killers, fico muito impressionado com os casos anteriores à década de 1970, quando essas mentes começaram a ser estudadas e analisadas de forma mais sistemática. Ainda assim, é surpreendente que este filme, lançado há quase 100 anos, já se baseie, ainda que levemente, em alguns dos mais assustadores assassinos da Alemanha do início do século XX. É verdadeiramente perturbador observar que certos padrões sempre foram os mesmos e que alguns comportamentos permanecem terrivelmente semelhantes, mesmo após um século.
Hans Beckert aterroriza a cidade de Berlim ao cometer uma série de assassinatos de crianças, espalhando pânico entre a população e pressionando a polícia, que intensifica as investigações. Paralelamente, o próprio submundo do crime, prejudicado pela vigilância crescente das autoridades, decide agir por conta própria e inicia uma caçada para capturá-lo antes que ele faça novas vítimas.
Esse filme se baseia nos crimes do “Vampiro de Hannover”, Fritz Haarmann, e também no “Vampiro de Düsseldorf”, Peter Kürten. Ambos assassinavam jovens, crianças e adolescentes, com requintes de crueldade impressionantes. Obviamente, para aquela época, nem o termo “serial killer” existia ainda. As pessoas não entendiam que indivíduos como Hans Beckert eram psicopatas; o estudo dessas mentes insanas ainda estava apenas no princípio. Mas é interessante observar que o padrão de ação, tanto dos assassinos quanto da sociedade, já era muito semelhante ao que vemos hoje. O nosso vilão, Hans Beckert, tem ciência de que o que possui é uma patologia, uma doença que ele não consegue refrear, e é muito interessante que Fritz Lang e Thea von Harbou o tratem dessa forma no roteiro, porque o mais comum na época seria retratá-lo como um vilão de contos de fadas que simplesmente mata uma criancinha.
Mas, sem sombra de dúvidas, o ponto mais interessante de toda a obra é o final, onde vemos Beckert ser capturado e julgado por populares, criminosos, pessoas em situação de rua, enfim, por indivíduos que não têm o devido preparo para julgá-lo. Ele joga isso na cara dessas pessoas, afirmando que muitos deles são tão criminosos e perigosos quanto ele, e ainda assim se acham no direito de julgar. Se me dissessem que essa cena foi escrita e filmada em 2026, e não em 1931, eu acreditaria perfeitamente, porque esse é exatamente o comportamento da sociedade de hoje: ela quer eliminar aquilo que não compreende, aquilo que é capaz de um ato horrível e não se encaixa no entendimento social. É uma pena que o filme não aprofunde ainda mais essa discussão, mas talvez seja justamente por isso que ele termina nesse ponto. Ainda assim, para uma obra do turbulento início dos anos 30 alemães, a simples existência desse debate já é de extrema relevância.
Infelizmente, nem tudo são flores em M – O Vampiro de Düsseldorf. O ritmo é terrivelmente lento: o primeiro ato e boa parte do segundo se arrastam de uma forma quase inacreditável. Em vários momentos, tive dificuldade de reconhecer ali o trabalho da mesma equipe de Metropolis (1927), um filme tão ágil e dinâmico lançado poucos anos antes. Outro problema é que este é o primeiro trabalho falado de Fritz Lang, e ele ainda dirige seus atores como se estivesse na era do cinema mudo. Existem atuações extremamente caricatas — algumas até pertinentes ao expressionismo alemão e que funcionariam bem em um filme mudo, pois ajudam a transmitir emoções —, mas, a partir do momento em que há diálogos, essas performances soam deslocadas.
Esse é um filme único porque é um dos primeiros a tratar um serial killer como tal, em uma época em que não havia qualquer entendimento sobre o que isso significava. Fritz Lang acerta ao mostrar um vilão que se comporta como um ser humano comum, e não como uma figura caricata e puramente vilanesca saída de um conto de fadas. O impacto disso na época deve ter sido enorme: revelar que a criatura por trás da morte daquelas crianças, Hans Beckert, era um homem aparentemente comum, um “monstro escondido entre os cordeiros”. Mal sabiam eles que aquilo era apenas a ponta de um iceberg gigantesco que ainda se revelaria nas décadas seguintes.
O roteiro, a direção de Fritz Lang, a atuação de Peter Lorre, o monólogo final numa cena tipo tribunal de justiça comunitária, e a mensagem da mãe no final pouco antes da guerra na Europa que se iniciaria 2 anos apos o lançamento do filme, onde Hitler viria a ser o seu principal personagem, tudo isso leva um filme de quase 100 anos ser um clássico absoluto.
E você aí achando que o PCC inventou o tribunal do crime.....