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Tony Stephanois acabou de sair da prisão e está irritado por causa da infidelidade de sua garota. Ele resolve se juntar a seus colegas, Jo e Mario, no planejamento de um ambicioso assalto a uma joalheria. Cercado de uma execução meticulosa, as coisas começam a dar erradas quando um dos integrantes do grupo comete um erro no momento em que tudo estava quase terminado...
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Jules Dassin filmou a sequência do assalto em Rififi sem uma palavra de diálogo e sem trilha sonora, e criou o modelo de tensão que o cinema de heist ainda tenta replicar. Quatro homens, uma joalheria, ferramentas específicas e o silêncio total que qualquer barulho pode romper: Dassin entendeu que a ansiedade do espectador cresce em proporção inversa ao som, e filmou o crime como um ritual que exige concentração tanto de quem executa quanto de quem assiste. O que vem antes e depois do assalto é um noir melancólico e preciso. O assalto em si é outra coisa.
Presente na coleção "DO OUTRO LADO DA LEI: filmes que fazem você torcer pelo ladrão"
https://filmow.com/listas/do-outro-lado-da-lei-filmes-que-fazem-voce-torcer-pelo-ladrao-l254215/
Um dos primeiros filmes a focar nos detalhes e planejamento de um roubo tão minuciosamente, a execução na joalheria com 25 min sem diálogos é realmente coisa de cinema, mas sempre tem um membro da gangue que faz besteira, Tony previu e planejou tudo, só não teve como planejar a burrice do italiano, a partir daí Tony tenta consertar mas seus amigos vão cometendo cada vez mais erros até que tudo desanda de vez, a cena dele no carro agonizando com o garotinho é angustiante e o final esperado, filmaço.
Gosto das opções narrativas de Dassin, sua direção é elegante mas não foi um filme que conseguiu me causar frisson ou me fazer levantar da cadeira. Na realidade é exatamente o oposto, um filme de golpe um tanto frio e moroso ( o que não é necessariamente ruim) mas que não me empolgou. Mantenho minha opinião sobre a frieza do filme em uma revisão todavia a cena do assalto em si é exuberante e seu trecho final satisfatório. Se ainda não vejo a obra prima gigantesca é certamente um título de valor para a história do cinema.
Parece que a questão central é a fala da esposa de Jo: tantos meninos pobres como você não se tornaram nem valentões e nem criminosos, por que você se tornou isso? Na verdade os valentões são aqueles meninos. Legal esse contraste, pois a tendência é o público ser manipulado para ficar do lado dos criminosos, e a esposa de Jo apontará para algo maior, ou seja, a dignidade e o amor por seu filho.
Na revisão, fiquei ainda mais escandalizado perante a extrema genialidade deste filme, formando uma espécie de trilogia com GRISBI, OURO MALDITO e BOB, O JOGADOR. O elenco está primoroso (Jean Servais, super expressivo; Carl Möhner, um tesão; o próprio Jules Dassin, um alívio cômico que antecipa a derrocada....) e o roteiro é supremo em suas três fases (a apresentação, o clímax em pleno meio e as conseqüências inevitáveis). É um filme cerceado por um rígido código moral, mas não moralista. Fotografia perfeita, bem como a edição e a montagem de som. Se formos buscar algum defeito aqui, este estaria no machismo da narrativa - por vezes, insustentável. Saí da sessão destroçado: magnífico porém doloroso, com muitas similaridades em relação a O ASSALTO AO TREM PAGADOR, no que tange à divisão entre antes e depois do crime-chave. As seqüências protagonizadas pelo viciado em cocaína/heroína devastaram-me. 'Noir' e dramático em iguais medidas. Genial! (WPC>)