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Após profecia de bruxas - que dizem que ele seria rei -, Macbeth mata o soberano e assume o trono. Só que, em seu reinado de sangue, ele jamais alcança a paz: sua esposa, tomada pela culpa, começa a enlouquecer; ao mesmo tempo, os inimigos conspiram para retomar o poder.
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Essa versão do diretor Roman Polanski para a célebre obra de Shakespeare não é tão brilhante como outras que eu já vi feitas para o cinema, mas também teve uma grande realização e entrega sequências impressionantes. Curiosamente foi produzida por Hugh Hefner, o fundador da revista Playboy.
Acho esse filme brutal, a atmosfera desse filme é sombria e sem esperança, é como se todo mundo ali já estivesse morto por dentro. Polanski conseguiu transmitir a tragédia de macbeth de uma forma crua e séria. Um filme legal!
Talvez seja a história que mais foi adaptada para o cinema, aqui Polanski eleva o nível da carnificina e violência, não se sabe se o assassinato brutal da sua esposa grávida Sharon Tate anos antes contribuiu para isso, fato é que o filme tem uma estética bastante peculiar dos anos 70, tem toda a linguagem shakespereana, atores ingleses foram usados pra aumentar a autenticidade da obra, gosto como as lutas foram retratadas aqui, coreografias perto da realidade, armaduras pesadas, lutadores cansados, toda a sequência final é bem verossímil, já assisti outras adaptações, sabia tudo que aconteceria, mas mesmo assim da pra perceber que cada adaptação tem sua peculiaridade de acordo com o diretor.
Talvez seja a versão definitiva de Macbeth, muito superior às versões de 2015 e 2021. Isso porque, mesmo utilizando a linguagem de Shakespeare, ainda assim se preocupa em tornar a obra acessível, com muitas figuras de linguagem ou frases curtas. Talvez seja o que tenha a melhor ambientação, com todos os cenários, figurinos e até mesmo o biotipo dos atores remetendo ao período, como uma página de Príncipe Valente.
Seu ponto negativo é que, após a primeira metade, perde muito de seu ritmo com todos os Fife e Macduff, não sabendo marcar bem a passagem do tempo e, com isso, nos deixando confusos. Por sorte se recupera próximo ao final.
Suas cenas de luta são incríveis, com ótimos efeitos e coreografia que nos convencem do realismo, seja por meio do cansaço com o peso da armadura ou de ver as roupas cortadas após um golpe de espada. A sequência final é incrível.
P.S.: Interessante ver como Polanski, pela terceira vez (Suspiria e O Bebê de Rosemary) coloca os pesadelos como algo silencioso, com poucos sons naturais.
Denso e bem soturno, uma espécie de videoclipe sanguinário sobre a obra.