Uma cobra branca venenosa é transformada em uma bela mulher por um demônio para destruir um monge particularmente puro que trabalha a serviço da deusa da misericórdia.
Temos essa e outras pérolas do cinema sul-coreano graças ao trabalho de restauração do Korean Film Archive que, entre outros trabalhos, vem dispobilizando obras que teriam sido perdidas no tempo. Inclusive, a quem possa interessar, a organização tem um canal no youtube com um acervo de filmes bem amplo: https://www.youtube.com/channel/UCvH6u_Qzn5RQdz9W198umDw
Ademais, é por essa iniciativa que tive a oportunidade de adentrar no mundo de Shin Sang-ok. O diretor tem sua filmografia produzida em três períodos: o primeiro engloba os filmes feitos na Coreia do Sul (1926–1978); o segundo reune obras realizadas na Coreia do Norte durante o sequestro orquestrado por Kim Jong-il para alavancar a indústria cinematografica do país (1978–1986); e, finalmente, o último período engloba os trabalhos estudanenses do diretor (1986–2002).
Em termos de qualidade da linguagem cinematográfica, se destaca a primeira parte de sua filmografia. Não que não existam outros pontos a serem discutidos em outros períodos (aliás, o período norte-coreano abre espaço para diálogos acerca de cinema, arte e política e das configurações do realismo socialista no país), mas é aqui que Shin se torna conhecido como um grande realizador.
Em Madam White Snake, por exemplo, somos apresentados com uma transposição do mito chinês "A Cobra Banca". Assim como outras obras do início do cinema de horror sul-coreano, Shin tem influências do cinema hollywoodiano no que diz respeito à estrutura narrativa e, principalmente, do cinema de horror japonês. Vale lembrar que foi somente na década de 40 que a Coreia deixou o colonialismo japonês e ainda nos anos 50/60 sofria grandes interferências da cultura estudanense.
Assistindo a esse filme, por exemplo, é visível a semelhança com os filmes de horror produzidos por Kenji Mizoguchi. Aqui, destaco principalmente "Contos da Lua Vaga" (1953), que nos traz a misteriosa Lady Wasaka como um ser demoníaco.
Assim, não só os temas se aproximam, mas como também as escolhas estéticas de Shin se assemellham às usadas por Mizoguchi. A montagem, por exemplo, trabalha com sobreposições de imagens que, ao serem usadas, servem como efeito especial, potencializando o poder da linguagem cinematográfica na construção do horror.
Disponível no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=69DhzDrHVeI
Temos essa e outras pérolas do cinema sul-coreano graças ao trabalho de restauração do Korean Film Archive que, entre outros trabalhos, vem dispobilizando obras que teriam sido perdidas no tempo. Inclusive, a quem possa interessar, a organização tem um canal no youtube com um acervo de filmes bem amplo: https://www.youtube.com/channel/UCvH6u_Qzn5RQdz9W198umDw
Ademais, é por essa iniciativa que tive a oportunidade de adentrar no mundo de Shin Sang-ok. O diretor tem sua filmografia produzida em três períodos: o primeiro engloba os filmes feitos na Coreia do Sul (1926–1978); o segundo reune obras realizadas na Coreia do Norte durante o sequestro orquestrado por Kim Jong-il para alavancar a indústria cinematografica do país (1978–1986); e, finalmente, o último período engloba os trabalhos estudanenses do diretor (1986–2002).
Em termos de qualidade da linguagem cinematográfica, se destaca a primeira parte de sua filmografia. Não que não existam outros pontos a serem discutidos em outros períodos (aliás, o período norte-coreano abre espaço para diálogos acerca de cinema, arte e política e das configurações do realismo socialista no país), mas é aqui que Shin se torna conhecido como um grande realizador.
Em Madam White Snake, por exemplo, somos apresentados com uma transposição do mito chinês "A Cobra Banca". Assim como outras obras do início do cinema de horror sul-coreano, Shin tem influências do cinema hollywoodiano no que diz respeito à estrutura narrativa e, principalmente, do cinema de horror japonês. Vale lembrar que foi somente na década de 40 que a Coreia deixou o colonialismo japonês e ainda nos anos 50/60 sofria grandes interferências da cultura estudanense.
Assistindo a esse filme, por exemplo, é visível a semelhança com os filmes de horror produzidos por Kenji Mizoguchi. Aqui, destaco principalmente "Contos da Lua Vaga" (1953), que nos traz a misteriosa Lady Wasaka como um ser demoníaco.
Assim, não só os temas se aproximam, mas como também as escolhas estéticas de Shin se assemellham às usadas por Mizoguchi. A montagem, por exemplo, trabalha com sobreposições de imagens que, ao serem usadas, servem como efeito especial, potencializando o poder da linguagem cinematográfica na construção do horror.