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Data de lançamento
14 Fev. 2024Duração
Cassandra Webb leva uma vida comum trabalhando como paramédica em Manhattan - até que, um dia, ela descobre que possui a habilidade de prever o futuro. Uma de suas visões acaba levando Cassandra até as jovens Julia Carpenter, Anya Corazon e Mattie Franklin. Não demora até que as quatro entendam que, juntas, estão destinadas a algo muito poderoso.
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O começo é interessante, te dá vontade de saber oque vai acontecer, mas após isso o filme desanda, começa a acelerar muito, deixando de explorar mais os personagens, e é até clichê falar isso de um filme da marvel, mas se tornou um filme genérico, o grande problema da marvel hoje em dia.
O filme nem é tão ruim como dizem
Aquela sensação de falta de orçamento pra o filme entregar dignamente o que deveria. Não achei de todo ruim, tenho é certeza.
O filme em si tem todo seu desenvolvimento focado na
questão familiar, construindo a ligação entre as personagens e tentando dar profundidade emocional à protagonista. Já na parte de ação, ele traz muito aquele clima de “sessão da tarde”: cenas mais simples, previsíveis e até um pouco leves demais para o padrão que a gente costuma esperar da Marvel Studios.
(Revisão - 24/01/2025)
Mais do que um cuspe declarado a todas as más tendências propagadas e enfiadas goela abaixo do público nos quase 20 anos da soberania industrial da Marvel/Disney e da mancha nociva da trilogia Batman do Christopher Nolan - que resultou no escárnio dos espectadores casuais e de uma parcela malfadada da crítica pós-Ebert acerca de inúmeros trabalhos desmerecidos por aquilo que eram, em essência, sua proposta artística - , Madame Teia é virtuoso para além da sua inserção no contexto amplo em que foi lançado - suas formas, contornos e mecanismos são os mais expressivos possíveis; sua Nova York é vivaz, pulsa energia e exuberância de uma realidade fantástica seja nas vielas e avenidas até mesmo as luzes dos prédios através das janelas do apartamento de luxo do Ezequiel.
O mérito de S.J. Clarkson aqui é pensar uma narrativa fundamentada no movimento uniforme das coisas, onde tudo está em constante progressão. Isso vai desde a premissa - em resumo, é uma larga perseguição de gato e rato durante duas horas e das maneiras mais essencialistas possíveis; não existe grandiloquência além de uma estrutura primitiva que posiciona um antagonista implacável na caça de seus alvos e as investidas da protagonista para manter as três jovens em segurança - até o modo como a cineasta trabalha com a decupagem: sua câmera estabelece uma presença constante em movimentações circulares, zooms, travellings e planos holandeses nessa reafirmação de uma correria desenfreada pela sobrevivência, ampliando o peso desse avanço incontrolável nesse jogo de caçador e presa.
Essa interferência que o movimento estabelece no tempo - da cena, das imagens em sequência, da progressão emocional da caçada de Ezequiel - é sentida também no trabalho que Clarkson faz ao lado da montadora Leigh Folson Boyd em jogar com as variantes do futuro decididas no presente através das fusões e transições que confundem a materialidade dos acontecimentos e impulsiona essa aceleração da temporalidade dos segmentos. É, talvez, o mais objetivo dos filmes da Marvel/Sony justamente por se apropriar desse fluxo para dispor seus vínculos dramáticos - a solidão de Cassie, o destino amaldiçoado de Ezequiel - sem aprofundamentos densos, mas com resoluções mais práticas, as vezes em um só plano.
De resto, o que já foi dito inúmeras vezes: é delicioso ver uma obra com tamanho gosto por se sujeitar aos prazeres mais antiquados para um público mal-habituado a filmes que se pareçam filmes e não um stand da San Diego Comic Con. Sem medo de frontalizar nada e contra tudo aquilo que é (mal) institucionalizado como "bem fazer". Sem temor de charfundar na plasticidade mais edificante possível.