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Quando as flores da árvore Mari desabrocham surgem os sonhos. As palavras de um grande xamã conduzem uma experiência onírica através da sinergia entre cinema e sonho yanomami, apresentando poéticas e ensinamentos dos povos da floresta.
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Como este curta-metragem chegou-me sob o jugo das premiações recebidas, a sessão foi demarcada por expectativas mui elevadas, quase como cobranças, quando o seu ritmo pretende outra coisa: a narração é monocórdia, didática em excesso, esforçada em seu direcionamento para aquilo que é explicado, ao invés do que é mostrado (deveras reiterativo). Como tal, estava achando a produção apenas mediana, não tão interessante quanto outras produções indígenas que amo. O desfecho revela-se como uma reviravolta gnoseológica, quando o próprio Davi Kopenawa aparece diante da câmera, escrevendo numa agenda, ratificando a importância da translação de sua fala e defendendo a continuidade de seus ensinamentos e dos costumes de seu povo. Nesse momento, eu aplaudi de pé, a tese do filme justificou-se na prática. Não é um de meus favoritos, em critérios cinematográficos estritos, mas é sobremaneira potente naquilo que ele oferta-nos diretamente, em sua simplicidade procedimental. Preciso revê-lo, inclusive. (WPC>)