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Data de lançamento
9 Out. 2019Duração
Matthias e Maxime, amigos de longa data cujo relacionamento é testado quando atuam em um curta-metragem cujo roteiro exige que eles se beijem, deixando-os ambos questionam suas identidades sexuais quando a experiência desperta seus sentimentos há muito adormecidos um pelo outro.
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tanto para dizer e pouco dito
Finalmente gostei de um filme do Dolan. As atuações sempre boas (o elenco bem mais carismático), mas o diferencial dessa vez foi o enredo, a química entre os atores e a trilha sonora ótima.
“Matthias & Maxime” é um filme marcado pela tensão do não dito, onde os sentimentos fervilham sob a superfície, mas raramente encontram voz. É uma obra que se move com delicadeza entre olhares, silêncios e gestos contidos como se cada personagem estivesse tentando manter intacto um acordo de masculinidade: o pacto de não nomear o afeto, de sufocar o desejo, de seguir em frente como se nada tivesse acontecido e ainda fazer piada de tudo isso.
As cores desempenham um papel crucial nesse jogo de contenção emocional. O azul e o vermelho surgem como códigos visuais de estados internos em conflito. O azul, frio, silencioso, introspectivo, permeia o cotidiano e a confusão emocional de Matthias, que tenta manter a compostura e o controle. O vermelho, em contraste, explode em momentos de intensidade afetiva e desejo uma cor que invade o filme em instantes pontuais, como se rompesse a mordaça emocional dos personagens.
Dolan constrói, com sensibilidade, um retrato de uma amizade colocada à prova pelo toque de um beijo, mas o conflito não está no gesto em si, está no que ele desvela. Há uma tensão constante entre o que poderia ser dito e o que precisa ser calado para manter a uniformidade. Nesse sentido, o filme é sobre o espaço entre as palavras, sobre os ruídos na comunicação entre homens ensinados a não se expressar. Esse é o grande acerto (e desconforto) do filme: reconhecer que, entre homens, muitas vezes, a intimidade é empurrada para os bastidores. Que há dores e desejos que não encontram lugar, que a linguagem da amizade masculina costuma ser feita de códigos, ausências e gestos pela metade.
sabia que eu devia ter largado assim que vi que era do Dolan
Às vezes você já está quebrado por dentro há muito tempo, mas precisa de algo um algum acontecimento pra perceber isso. Xavier Dolãn conta uma história de uma amizade que possivelmente possa ser também um amor não correspondido, só que filmado de uma forma complexa tão como seria na vida real.