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29 Out. 2026A jovem Lola vive em conflito com a mãe e carrega o trauma da ausência do pai, de quem guarda poucas lembranças. Ao viajar sozinha nas férias para uma cidade do interior, ela entra para uma equipe de natação competitiva e, enquanto tenta vencer o bloqueio que a impede de nadar no estilo borboleta, embarca em uma jornada de autodescoberta que revela segredos do passado de sua família.
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Há tempos não ouvia falar de Ana Luiza Azevedo, diretora gaúcha que tem trabalho frequente como roteirista dos filmes de Jorge Furtado, que conheço desde o curta “Barbosa”, dos anos 80, e que realizou no fim dos anos 2000 um dos bons filmes daquela época, “Antes que o mundo acabe” (quando a conheci e a entrevistei no Festival de Goiânia). Ela retorna agora com “Medley”, título em referência à prova de quatro estilos na natação, já que a protagonista adolescente é uma nadadora. Lola, de 16 anos, tem dificuldade com o nado borboleta, sente a ausência do pai e tem conflitos com a mãe, que é uma pessoa amarga. Após brigar com ela, sai de casa para uma viagem em que irá recuperar lembranças dolorosas que ficaram guardadas. É um filme singelo coming-of-age, que equilibra drama intimista com leve romance, e se passa no Rio de Janeiro dos anos 90. Tem uma naturalidade nas interpretações, nada forçado, fotografia bem colocada, com estética própria, principalmente nas cenas de água e piscina. E traz o protagonismo juvenil para a tela, como a cineasta gosta e sabe fazer. Fita direcionado ao público mais jovem, que se identificará com os dilemas existenciais da nadadora. É uma adaptação do livro “Medley ou os dias em que aprendi a voar”, de Keka Reis, fenômeno da literatura infantojuvenil brasileira. O elenco tem Mel Maia (no centro do filme, super bem), Mariana Lima, André Ramiro e Leona Cavalli. Depois de estrear no Festival do Rio, chega à Mostra de SP, com sessão ainda hoje, dia 28/10. O filme estreia oficialmente nos cinemas amanhã, dia 29, com distribuição da Vitrine Filmes (na Sessão Vitrine Petrobras). POR FELIPE BRIDA - Texto publicado no dia 28/10 no blog Cinema-naweb blogspotcom
A impressão que eu tive, vendo o filme, é que a própria diretora era uma adolescente, deixando-se levar pelos pantins (etariamente compreensíveis) da protagonista. Conhecendo a filmografia da realizadora, nota-se que ela foi coerente na escolha deste enredo, que temas que já apareciam em ANTES QUE O MUNDO ACABE e AOS OLHOS DE ERNESTO voltam aqui, de maneira simpática, divertida, e até mesmo reflexiva, de modo que o final anticlimático cumpre uma função, obrigando-nos a conversar mais com nossos pais ou filhos, a depender da conformação dos espectadores. Apreciei a tentativa de reconstituição noventista de época, mas alguns anacronismos comportamentais se instalam, pela ausência de conflitos de classe, pela falta de reclamações financeiras e pela forçação de barra metalingüística nos diálogos romântico-cinefílicos do personagem Gabriel. seja como for, afeiçoei-me a Lola, gostei moderadamente de sua jornada de autodescoberta. sem expectativas, o filme funciona - e é coerente com os trabalhos anteriores da diretora, insisto! (WPC>)