Na Paris dos anos 20, Marcel, um violinista, se apaixona por Romaine, uma jovem estilista que é esposa de um velho amigo. Ela instiga o relacionamento entre eles, mesmo quando seu marido, Pierre, fica doente. Romaine chega a dar a Pierre um tratamento que piora sua doença, mas depois reconsidera a traição. Três anos depois, Pierre cobra a Marcel que conte a verdade.
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Ainda que eu não seja lá grande fã do melodrama em si, é notável que o formato que Resnais opta fuja ao lugar comum. Esta brincadeira da melodia com o melodrama funciona muito bem, as personagens são muito bem defendidas pelo trio de atores, que em geral entregam um nível de intensidade apropriadamente seco para um gênero tão excessivamente famoso pelo tom exacerbado. O encontro entre o cinema e o teatral é a marca registrada do diretor.
Resnais filma teatro com o talento do cinema, nos alertando a todo momento que essa é a origem do texto, com cortinas vermelhas marcando claramente cada ato, as cenas quase todas em interiores e o mínimo de atores em cena. Mas que atores!!! Todos excelentes em seus personagens atormentados pelo amor e pelo desejo. Um filme profundo e com uma direção de arte impecável, marcando bem a diferença entre os personagens, servindo como elemento narrativo antes de mais nada. Um melo drama imperdível.
Um filme dos anos 80 com cara de anos 50
Muitas pessoas encaram o cinema como um teatro filmado. Outras acham que é facílimo transformar uma peça em um filme. A verdade é que, assim como em relação à literatura, são duas artes bem distintas, com recursos e desenvolvimento diferentes. Ver atores e atrizes recitando longos monólogos e diálogos ao vivo em um palco causa sensações diferentes de vê-los em uma tela (grande ou pequena).
Não é a toa que cineastas adotam várias estratégias na hora de adaptar o teatro ao cinema. As vezes é com uma montagem acelerada ou movimentos de câmera constantes (como em Hamlet e As Bruxas de Salem, ambos lançados em 1996).
Melô também é uma adaptação teatral, com ótima direção de arte (especialmente a primeira cena) e o elenco consegue equilibrar com eficiência uma interpretação teatral, mais afetada e a cinematográfica, mais contida. Mas infelizmente, a natureza teatral não disfarçada acaba deixando o filme cansativo depois de um tempo, apesar dos bons diálogos e da direção do grande Alain Resnais, que cria belos planos.
Que profundidade foi essa?!
Quase foi possível enxergar a alma dos personagens se revolvendo dentro do corpo
E a beleza de Sabine Azema? Aquela cena dela dando cambalhotas?