Depois que a impenitente e ferozmente leal Inez sequestra seu filho Terry do sistema de adoção, mãe e filho partem para recuperar seu senso de lar, identidade e estabilidade numa cidade de Nova York em processo de rápida mudança.
Passei boa parte de A Thousand and One acreditando que a história caminhava inevitavelmente para uma tragédia envolvendo violência policial. O filme oferece elementos para isso: a Nova York marcada por desigualdades, a fala de Inez sobre sentir que algo ruim está prestes a acontecer e, principalmente, aquela abordagem policial sofrida por Terry, que imediatamente acendeu em mim o alerta de que seu destino já estava traçado. Talvez eu esteja tão acostumada a determinadas narrativas que comecei a enxergar fantasmas onde eles não existiam.
Porque a sensação de tragédia estava correta. Só estava deslocada. A violência não viria da rua. Não viria da polícia. Não viria sequer de Nova York. Ela já estava dentro de casa desde o início.
Inez talvez seja uma das protagonistas mais difíceis de acompanhar. Ela é ríspida, explosiva, orgulhosa demais para pedir ajuda e rápida demais para transformar qualquer desconforto em confronto. Mas o filme nunca permite que a enxerguemos de forma simples. Existe amor ali. Um amor torto, desvirtuado, sufocante até, mas ainda assim amor.
Quando o filme revela seu segredo, tudo ganha outra dimensão. Terry não é seu filho. Inez o sequestrou e o criou como seu numa tentativa desesperada de poupá-lo da experiência que definiu sua própria vida: crescer sendo deixado para trás.
Existe algo profundamente trágico nisso. Tentando quebrar um ciclo, Inez acaba criando outro. Na tentativa de salvar Terry do abandono, ela lhe rouba algo fundamental: sua própria identidade. É uma contradição dolorosa, porque seu gesto nasce do amor, mas também da incapacidade de amar sem reproduzir as marcas do próprio trauma.
Fui esperando algo próximo de Fruitvale Station. Encontrei uma história infinitamente mais complexa. Uma pequena grande mentira capaz de sustentar uma família inteira — e talvez destruí-la também. Saí de A Thousand and One pensando que algumas pessoas passam a vida tentando impedir que suas feridas alcancem quem amam. O mais doloroso é perceber que, às vezes, é justamente assim que novas feridas começam.
Ótimo!!! "Mil e Um" é daqueles filmes que te pega nos primeiros minutos e não te solta até o final. A.V. Rockwell dirige muito bem uma narrativa sobre a jornada dessa mãe que tenta fazer o certo, mesmo com um passado tortuoso. Teyana Taylor é espetacular, daquelas atuações memoráveis e marcantes, difíceis de esquecer. O restante do elenco é lindão também. Um filme fala sobre amor materno, sobre gentrificação do gueto e do amor incondicional mesmo que algumas decisões sejam realizadas no caminho. Um filme forte, que não busca saídas fáceis e o final é chocante. Recomendo muito.
Que delícia de filme. A cada salto temporal, a gente vê a mudança nas dinâmicas entre personagens, tudo sempre girando em torno da Inez, uma protagonista inicialmente imatura, mas jamais chata (“então compre a porra dos seus próprios brinquedos”, ela diz com raiva pra uma criança pequena), que vai entendendo cada vez mais de si à medida que o filme se desenrola.
Excelente drama! não é à toa que foi premiado no Sundance Film Festival. Brilhante desempenho da atriz Teyana Taylor, assim como também de Josiah Cross.
Passei boa parte de A Thousand and One acreditando que a história caminhava inevitavelmente para uma tragédia envolvendo violência policial. O filme oferece elementos para isso: a Nova York marcada por desigualdades, a fala de Inez sobre sentir que algo ruim está prestes a acontecer e, principalmente, aquela abordagem policial sofrida por Terry, que imediatamente acendeu em mim o alerta de que seu destino já estava traçado. Talvez eu esteja tão acostumada a determinadas narrativas que comecei a enxergar fantasmas onde eles não existiam.
Porque a sensação de tragédia estava correta. Só estava deslocada. A violência não viria da rua. Não viria da polícia. Não viria sequer de Nova York. Ela já estava dentro de casa desde o início.
Inez talvez seja uma das protagonistas mais difíceis de acompanhar. Ela é ríspida, explosiva, orgulhosa demais para pedir ajuda e rápida demais para transformar qualquer desconforto em confronto. Mas o filme nunca permite que a enxerguemos de forma simples. Existe amor ali. Um amor torto, desvirtuado, sufocante até, mas ainda assim amor.
Quando o filme revela seu segredo, tudo ganha outra dimensão. Terry não é seu filho. Inez o sequestrou e o criou como seu numa tentativa desesperada de poupá-lo da experiência que definiu sua própria vida: crescer sendo deixado para trás.
Existe algo profundamente trágico nisso. Tentando quebrar um ciclo, Inez acaba criando outro. Na tentativa de salvar Terry do abandono, ela lhe rouba algo fundamental: sua própria identidade. É uma contradição dolorosa, porque seu gesto nasce do amor, mas também da incapacidade de amar sem reproduzir as marcas do próprio trauma.
Fui esperando algo próximo de Fruitvale Station. Encontrei uma história infinitamente mais complexa. Uma pequena grande mentira capaz de sustentar uma família inteira — e talvez destruí-la também. Saí de A Thousand and One pensando que algumas pessoas passam a vida tentando impedir que suas feridas alcancem quem amam. O mais doloroso é perceber que, às vezes, é justamente assim que novas feridas começam.
Ótimo!!! "Mil e Um" é daqueles filmes que te pega nos primeiros minutos e não te solta até o final. A.V. Rockwell dirige muito bem uma narrativa sobre a jornada dessa mãe que tenta fazer o certo, mesmo com um passado tortuoso. Teyana Taylor é espetacular, daquelas atuações memoráveis e marcantes, difíceis de esquecer. O restante do elenco é lindão também. Um filme fala sobre amor materno, sobre gentrificação do gueto e do amor incondicional mesmo que algumas decisões sejam realizadas no caminho. Um filme forte, que não busca saídas fáceis e o final é chocante. Recomendo muito.
Não consegui terminar de assistir, muito chato, arrastado
Que delícia de filme. A cada salto temporal, a gente vê a mudança nas dinâmicas entre personagens, tudo sempre girando em torno da Inez, uma protagonista inicialmente imatura, mas jamais chata (“então compre a porra dos seus próprios brinquedos”, ela diz com raiva pra uma criança pequena), que vai entendendo cada vez mais de si à medida que o filme se desenrola.
Excelente drama! não é à toa que foi premiado no Sundance Film Festival. Brilhante desempenho da atriz Teyana Taylor, assim como também de Josiah Cross.