Lucas Henrique da Silva
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Quarto do Pânico

  • Meu Deus do céu… o que fizeram com esse filme?

    Estamos falando de um remake de “Quarto do Pânico”, clássico dirigido por David Fincher — meu segundo diretor favorito, o único cuja filmografia eu assisti inteira. E olha: o original nem está no meu top 3 dele. Mas ainda assim é um suspense extremamente eficiente, quase claustrofóbico, tecnicamente preciso, cirúrgico na construção de tensão.

    Aqui? Aqui a coisa desanda.

    Transformaram um suspense psicológico sufocante em uma perseguição de gato e rato que simplesmente não sai do lugar. O filme começa num ponto… e termina exatamente com a mesma sensação. Não há progressão dramática consistente. Não há escalada real de tensão. É como correr na esteira: você se movimenta, mas não sai do lugar.

    E a direção… desculpa, mas é fraca. Muito fraca. Falta rigor, falta controle de atmosfera, falta inteligência espacial. O original fazia da casa um personagem. Aqui, a casa parece cenário alugado de série das dez da noite depois do Big Brother.

    E tem uma decisão que, pra mim, beira a ingenuidade: trazer a história para os dias atuais. Em 2002, a limitação tecnológica ajudava a narrativa. Hoje, com câmeras, automação, rastreamento, sensores, sistemas integrados… o roteiro simplesmente ignora tudo isso quando convém. Os invasores conseguem fazer coisas com uma facilidade constrangedora.

    Logo no início, os caras entram na casa usando uma escada no muro. Uma casa vendida como super tecnológica. Sério mesmo? Nem empresa de segurança residencial mais básica deixaria isso passar tão fácil. Fica tosco. E quando o espectador começa a questionar a lógica interna do filme, a tensão morre.

    E os descuidos continuam. Tem uma cena (sem spoiler) em que um personagem tenta apagar digitais de uma arma esfregando na roupa… e segundos depois pega a arma de novo com a mão nua antes de largar no chão. É o tipo de erro que grita na tela. Falta revisão. Falta cuidado. Falta alguém dizendo: “Gente, isso não faz sentido”.

    As atuações? Não são ruins. Também não são memoráveis. Estão ali, cumprindo função. Mas atuação correta não salva direção frouxa e roteiro inconsistente.

    E a fotografia… ah, a fotografia.

    Por que ainda existe essa obsessão no cinema brasileiro por imagem chapada, branca, sem contraste, quase hospitalar? Suspense pede atmosfera. Pede sombra. Pede textura. Pede cor pensada como linguagem. Aqui parece estética de novela: tudo iluminado demais, limpo demais, plano demais. Não há identidade visual marcante.

    No fim, o que sobra?

    A ideia central — que nem é original daqui, porque vem do filme do Fincher. Ou seja, o único elemento realmente forte não pertence a essa versão.

    Minha nota inicial era 2. Vou ajustar para 3/10, exclusivamente porque a premissa é boa e porque o elenco não compromete completamente.

    Mas dói.

    Dói porque remake não precisa copiar. Precisa reinterpretar. Precisa justificar a própria existência. E esse aqui não justifica.

    Sinceramente? Espero que o Fincher nunca assista. Não por orgulho nacional. Mas porque ele ficaria decepcionado.

    E com razão.

  • Perfectly a Strangeness (Perfectly a Strangeness) 29

    Perfectly a Strangeness

  • Lucas Henrique da Silva
    2 meses atrás

    porque isso foi indicado ao oscar?

  • Marty Supreme (Marty Supreme) 314

    Marty Supreme

  • Lucas Henrique da Silva
    2 meses atrás

    FILMAÇO DEMAIS!!! O que o Timotinho fez aqui foi incrivel! Que montagem absurda, te deixa empolgado do inicio ao fim!!

  • André Zanarella 3 meses atrás

    Bom dia Lucas
    Espero que possamos desenvolver uma boa amizade
    abraço

    O cinema é o modo mais direto de entrar em competição com Deus. Federico Fellini

  • LegenDario 4 anos atrás

    Olá, colega de Filmow. Está interessado(a) em ter na palma da sua mão a possibilidade de trocar ideias, piadas e experiências sobre cinema de forma descontraída, como em uma roda de amigos?

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