Dois garotos acham o produto de um roubo a banco, milhões em dinheiro, mas têm que gastar tudo antes que o Reino Unido converta sua moeda para euro. O prazo: uma semana.
Boyle nos seus dias mais tranquilo.O filme traz boas sequências,todas divertidas,mas com mensagens otimistas.Um dos desconhecidos filmes da carreira do diretor que merece uma visita.
Danny Boyle tem o talento de transformar qualquer narrativa em um espetáculo visual, Millions confirma essa habilidade. A fotografia é um deslumbre, explorando a imaginação infantil com pilhas de dinheiro caindo do céu, caixas de papelão convertidas em espaçonaves e ângulos que expandem a percepção do mundo. Há algo de fascinante nessa abordagem — como se Boyle não estivesse apenas filmando uma história, mas traduzindo diretamente a mente de uma criança para a tela. E se o impacto visual fosse o suficiente para sustentar um filme, este já estaria no caminho certo. Mas, por alguma razão, o encanto estético não veio acompanhado de um envolvimento emocional à altura.
O gancho é instigante: Damian e seu irmão encontram uma mala cheia de dinheiro poucos dias antes da troca da moeda no Reino Unido. O dinheiro é uma dádiva inesperada, mas cada um dos irmãos o enxerga de forma diferente—para o mais velho, um passaporte para privilégios e manobras financeiras precoces dignas de um executivo mirim; para Damian, uma oportunidade de praticar a bondade absoluta. Mas o que o torna peculiar é seu fascínio por santos padroeiros — ele conversa com eles, busca conselhos e enxerga a vida por esse prisma de fé. É um conceito interessante, e não nego a criatividade com que Boyle transforma essas visões em cenas visualmente deslumbrantes, mas talvez seja esse o ponto que me distancia do filme. A fantasia infantil funciona, a dualidade entre esperteza e moralidade também, mas a camada religiosa nunca chega a me envolver de verdade.
A trama até flerta com um certo suspense, quando o verdadeiro dono do dinheiro aparece, mas o antagonismo nunca se solidifica de fato. O ladrão surge mais como um elemento narrativo do que como uma ameaça real, e isso enfraquece o impacto dramático. Em um filme como Esqueceram de Mim, por exemplo, os vilões fazem parte da identidade da história, enquanto aqui o perigo é contido, quase decorativo. Talvez essa suavidade seja intencional, já que Millions não é exatamente um filme sobre conflito, mas sobre amadurecimento e luto. O problema é que essa abordagem torna a jornada emocional mais difusa — existe um crescimento para Damian, mas ele nunca atinge um clímax que realmente nos arrebate.
No fim das contas, Millions é um filme belo, visualmente brilhante e com momentos de delicadeza genuína, mas que, paradoxalmente, se dissipa no ar. É um daqueles casos em que a admiração pelo que se vê não se traduz em envolvimento profundo. Há inteligência na forma como Boyle capta a mente infantil, há sensibilidade no tema, mas tudo se resolve com tanta leveza que o impacto não chega a se fixar. Um filme que deslumbra os olhos, mas não pesa no coração.
Boyle nos seus dias mais tranquilo.O filme traz boas sequências,todas divertidas,mas com mensagens otimistas.Um dos desconhecidos filmes da carreira do diretor que merece uma visita.
>Assistido em 09 de Junho de 2025
Shallow Grave só para baixinhos
Danny Boyle tem o talento de transformar qualquer narrativa em um espetáculo visual, Millions confirma essa habilidade. A fotografia é um deslumbre, explorando a imaginação infantil com pilhas de dinheiro caindo do céu, caixas de papelão convertidas em espaçonaves e ângulos que expandem a percepção do mundo. Há algo de fascinante nessa abordagem — como se Boyle não estivesse apenas filmando uma história, mas traduzindo diretamente a mente de uma criança para a tela. E se o impacto visual fosse o suficiente para sustentar um filme, este já estaria no caminho certo. Mas, por alguma razão, o encanto estético não veio acompanhado de um envolvimento emocional à altura.
O gancho é instigante: Damian e seu irmão encontram uma mala cheia de dinheiro poucos dias antes da troca da moeda no Reino Unido. O dinheiro é uma dádiva inesperada, mas cada um dos irmãos o enxerga de forma diferente—para o mais velho, um passaporte para privilégios e manobras financeiras precoces dignas de um executivo mirim; para Damian, uma oportunidade de praticar a bondade absoluta. Mas o que o torna peculiar é seu fascínio por santos padroeiros — ele conversa com eles, busca conselhos e enxerga a vida por esse prisma de fé. É um conceito interessante, e não nego a criatividade com que Boyle transforma essas visões em cenas visualmente deslumbrantes, mas talvez seja esse o ponto que me distancia do filme. A fantasia infantil funciona, a dualidade entre esperteza e moralidade também, mas a camada religiosa nunca chega a me envolver de verdade.
A trama até flerta com um certo suspense, quando o verdadeiro dono do dinheiro aparece, mas o antagonismo nunca se solidifica de fato. O ladrão surge mais como um elemento narrativo do que como uma ameaça real, e isso enfraquece o impacto dramático. Em um filme como Esqueceram de Mim, por exemplo, os vilões fazem parte da identidade da história, enquanto aqui o perigo é contido, quase decorativo. Talvez essa suavidade seja intencional, já que Millions não é exatamente um filme sobre conflito, mas sobre amadurecimento e luto. O problema é que essa abordagem torna a jornada emocional mais difusa — existe um crescimento para Damian, mas ele nunca atinge um clímax que realmente nos arrebate.
No fim das contas, Millions é um filme belo, visualmente brilhante e com momentos de delicadeza genuína, mas que, paradoxalmente, se dissipa no ar. É um daqueles casos em que a admiração pelo que se vê não se traduz em envolvimento profundo. Há inteligência na forma como Boyle capta a mente infantil, há sensibilidade no tema, mas tudo se resolve com tanta leveza que o impacto não chega a se fixar. Um filme que deslumbra os olhos, mas não pesa no coração.
Alguém sabe onde assistir?
É uma boa distração.