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Data de lançamento
13 Out. 2017Duração
Inspirada pelos relatos do ex-agente John Douglas e do escritor Mark Olshaker, a série de TV se passa em 1979 e acompanhará os talentosos investigadores Bill Tench e Holden Ford interrogando assassinos para resolver diversos casos de homicídio.
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o que é Anna TORV? Meu Deus que mulher ! vim por Fringe e aqui ela está melhor ainda
Quem aguentar passar pelo 1º episodio arrastado/chato, será recompensado por uma série muito boa.
Curti bastante a primeira temporada — tem um ritmo muito bom, prende a atenção e traz diálogos bem construídos.
Pra mim, o ponto que fica um pouco abaixo é a atuação do Jonathan Groff como Holden. Senti falta de mais carisma, mais presença, aquela “aura” que segura o protagonismo. Acabei me conectando bem mais com o Holt McCallany, que, na minha visão, entrega um personagem mais interessante.
Mas ao mesmo tempo, dá pra entender essa escolha — talvez a proposta da série seja justamente mostrar alguém mais contido, impactado pelo contato constante com tanta violência e com mentes de assassinos cruéis.
Agora partindo pra segunda temporada. Pelo que parece, a série não teve a audiência esperada e acabou sendo encerrada ali mesmo.
No geral, minha nota pra primeira temporada é 8,5/10.
Durante anos, o FBI acumulou algo que parecia valioso, mas que ninguém sabia realmente como usar: horas e horas de entrevistas com alguns dos criminosos mais perigosos dos Estados Unidos.
Robert Ressler e John Douglas conversavam com assassinos em série, ouviam suas confissões, suas justificativas, suas versões dos crimes.
Tinham acesso aos criminosos.
Tinham as histórias.
Tinham as gravações.
Mas faltava uma coisa: um método.
Foi então que entrou em cena Ann Wolbert Burgess.
Enfermeira psiquiátrica e pesquisadora, Burgess não ficou impressionada com o fascínio que aqueles homens exerciam sobre os investigadores.
Ela enxergou uma lacuna.
O FBI estava perguntando aos assassinos quem eles eram.
Ann queria saber outra coisa:
**Quem eram as pessoas que eles escolheram para matar?**
Para ela, a vítima não era apenas o resultado final de um crime. Era uma peça fundamental para compreender o criminoso.
Como ele escolheu aquela pessoa?
Como se aproximou?
Como conseguiu dominá-la?
O que fez durante o ataque?
E, principalmente, por que aquela vítima?
Burgess percebeu que essas respostas poderiam revelar padrões que os próprios assassinos tentavam esconder.
Era uma mudança de perspectiva poderosa: em vez de acreditar na narrativa construída pelo agressor, estudar o comportamento dele a partir das evidências deixadas em suas vítimas.
A partir daí, seu trabalho ajudou a transformar entrevistas aparentemente caóticas em dados que podiam ser analisados.
Ela desenvolveu métodos de avaliação, estruturou protocolos e contribuiu para pesquisas que ajudaram a compreender a violência sexual não simplesmente como uma questão de desejo, mas também como expressão de controle, poder e trauma.
Só que havia um problema.
Enquanto a história do FBI ganhava livros, documentários e séries, a participação de Burgess permanecia muito menos conhecida.
Décadas depois, quando a Netflix levou essa história para a televisão em *Mindhunter*, sua figura sequer apareceu com o próprio nome.
A personagem Wendy Carr foi inspirada nela — mas a versão televisiva modificou sua profissão, sua personalidade e diversos elementos de sua trajetória.
A mulher real ficou escondida atrás da personagem fictícia.
E talvez essa seja a parte mais curiosa dessa história.
Ann Burgess não entrou para a história porque queria entender os monstros.
Ela entrou porque percebeu que, para entender um predador, era preciso olhar para onde quase ninguém estava olhando:
**para as vítimas.**
Seu trabalho ajudou a colocar trauma, comportamento e ciência no centro da investigação criminal.
E, enquanto outros nomes se tornaram conhecidos por entrevistar assassinos, Burgess passou décadas fazendo algo muito menos espetacular — e talvez muito mais importante:
transformando histórias de violência em conhecimento científico.
A história do profiling criminal não é apenas a história dos homens que interrogaram os assassinos.
É também a história da mulher que perguntou:
**“E se começarmos pelas vítimas?”**
Essa mulher era Ann Wolbert Burgess.
Essa série é uma obra prima!