Dirigido por
Data de lançamento
21 Abril 1979Duração
Com base em registros políciais e no premiado livro escrito por Ryuzo Saki, este filme relata a terrível onda de crimes de Iwao Enokizu (Ogata), um homem vazio sem "kokoro", que significa em japonês, tanto "eu" como "coração". O funcionário insatisfeito, Enokizu mata várias pessos, sem qualquer razão e consegue escapar da polícia, mesmo com seu rosto celebrizado em todo país. Mas, seu pai e sua esposa, que sabem do seu segredo, tentam viver tranquilos. Depois de realizar vários documentários, insatisfeito com as limitações da forma narrativa, Shohei Imamura criou este filme. Aparentemente, um drama policial simples, Minha Vingança incorpora vários toques surrealistas, incluindo um final em que a "lei da gravidade" é esquecida.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Filme meio longo demais mas é legal sim
O cinema de Shohei Imamura realmente não é para mim.
É muito forte esse aqui, um filme sobre um assassino em série em 1979 no Japão deve ter sido escandalizante, por outro lado, também deveria haver assassinos reais no quais ele se baseou para fazer esse filme. O mais bizarro que acho, até mais do que os assassinatos, é a história com o pai católico e a esposa.
Entre a sedução e a repugnância total, Ken Ogata brilha no papel principal de um dos filmes mais importantes de Shohei Imamura. Um papel que conseguiu indubitavelmente graças ao seu tour de force do ano anterior em O Demônio (1978). Quando pensava que não podia ser mais monstruosamente rigoroso e expressivo, Ogata-san surpreende na pele de um serial killer e faz justiça aos desdobramentos de sua carreira no cinema autoral japonês.
Conhecido por adotar o olhar marginal da sociedade, por sua filosofia quase antiozuesca, pela recusa das normas e dos enquadramentos minuciosos perfeitamente japoneses aos olhares ocidentais, Imamura adapta com um toque de perversão e ironia o romance de mesmo título do autor nipo-coreano Ryuzo Saki. Baseado na vida real do serial killer Akira Nishiguchi, MINHA VINGANÇA (pois "Fukushū Suru" no título significa literalmente o ato de se vingar) é um filme não-linear e despido de julgamento moral contra o protagonista.
O assassino em questão não explicita o motivo de suas monstruosidades. Não há explicações psicológicas redutoras ou posicionamento punitivo da parte do diretor. A obra de Imamura sempre foi dedicada ao imoral e à crítica de uma sociedade disfuncional que marginaliza tudo aquilo que não segue a lógica dominante. Se haveria de existir uma vingança, esta seria talvez a resposta do personagem à própria existência em uma sociedade desigual na qual nunca encontrou seu lugar e ao rir insanamente do que lhe é imposto como racional.
Eis então que o lado fascinante do filme surge ao mostrar esta pulsão de destruição não como princípio de espetáculo, mas de forma estranhamente antropológica como se fosse um olhar do estado humano mais primitivo. O trabalho assíduo nas parcerias de Imamura com o diretor de fotografia Shinsaku Himeda é brilhante. Entre os movimentos de câmera extremamente fluidos e uma iluminação de contraste que coloca em valor a atmosfera decadente da trama, este setentismo delicioso é um dos maiores títulos do cinema japonês.
Imamura entrega um filme competente sobre os lados asquerosos que movem os humanos. Tem um grande embate entre pai e filho. Filme que influenciou muito da nova onda coreana, repleta de flashbacks e contos de assassinato e brutalidade.