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Data de lançamento
3 Maio 2019Duração
Do documentarista Hao Wu, vem um retrato sincero de como ele criou uma família completamente moderna nos Estados Unidos, apenas para enfrentar o dilema de apresentar seu parceiro do mesmo sexo e seus filhos a pais e parentes profundamente tradicionais na China.
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Hao Wu mostra com sensibilidade e honestidade os dilemas e os conflitos que enfrenta ao tentar conciliar suas duas famílias: a que ele escolheu nos EUA e a que ele nasceu na China. O filme aborda temas como identidade, sexualidade, cultura, tradição e família de uma forma pessoal e íntima, mas também universal e relevante. O filme tem uma duração curta, mas consegue transmitir muitas emoções e reflexões sobre o que significa ser feliz e aceito em um mundo cheio de diferenças e preconceitos.
Falando como homem LGBTQIA+, eu vi o documentário como importante para mostrar nossa realidade em um país de 5 mil anos de história, cheio de conservadorismos. Isso abre a nossa mente. Porém, quando penso em um aspecto mais profundo, eu achei o documentário estranho.
Apesar de ser bonito a busca pela formação de uma família que peite o que consideram como "família normal" (Damares chora 😈), quando Hao afirma que optou pela barriga de aluguel porque também queria agradar aos pais (e o pai fala sobre "sangue puro"), isso me trouxe uma questão antiga que me levou a não querer ser pai. Colocar uma criança no mundo não é sobre si, ou sobre meus pais, ou sobre o que as pessoas vão achar.
Colocar uma criança no mundo para que ela supra uma ausência não é amor, é egoísmo.
Você está jogando sobre uma vida que não pediu para nascer a obrigação de te fazer feliz. Tenhamos sensatez: quantos pais você não vê que fazem isso? Quantas pessoas você já não viu e vê cujos olhos estão gritando de arrependimento mudo por terem tido filhos? Mas as pessoas não podem falar sobre esse arrependimento. A sociedade proibe. A sociedade exige que você tenha filhos em uma promessa de "maior felicidade do mundo", mas você já viu alguma mãe, algum pai, admitir na cara dura que se arrependeu? É complexo.
Além disso, há todo um clima de "os filhos mudam os avós, mudam os pais". Mudam? Sim, mudam. Não sou tão coração peludo ao ponto de negar isso. Contudo, novamente me deparo com a questão problemática de você jogar sobre um bebê toda a esperança de futuro.
Falando como alguém que refletiu muito sobre esse papel de "ser uma gota de esperança para alguém sem ter pedido por isso", o documentário me afastou.
muito real
Visto em 07/03/21
"Quando crescemos, deixamos de nos preocupar tão somente com as nossas verdades, e passamos a nos importar com os sentimentos dos outros."