Baseado na obra homônima de Camilo Castelo Branco, Mistérios de Lisboa mergulha-nos num turbilhão imparável de aventuras e desventuras, coincidências e revelações, vinganças, amores desgraçados e ilegítimos numa atribulada viagem por Portugal, França, Itália e Brasil. Nesta Lisboa de intrigas e identidades ocultas encontramos uma série de figuras que dominam o destino de Pedro da Silva, órfão de um colégio interno: o padre Dinis que de aristocrata e libertino se converte em justiceiro, uma condessa roída pelo ciúme e sedenta de vingança e um pirata sanguinário tornado próspero homem de negócios.
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Vindo do estranhíssimo cinema que Raul Ruíz costumava produzir, Mistérios de Lisboa é um produto super comum de um diretor bizarríssimo. Comum , apenas no sentido de loucura já que em termos de cinematografia é um produto muito diferenciado. Condução e direção de arte de fato absurdas e uma dramaturgia linda mesmo para mim, que pouco me interesso por dramas históricos a respeito da burguesia, logo um prato cheio para quem simpatiza com o gênero. Texto maravilhoso também.
Bonito como filme (embora muito longo e, em alguns momentos, excessivamente frio e artificial), "Mistérios de Lisboa" é uma adaptação pífia de um clássico da literatura portuguesa escrito por Camilo Castelo Branco. O livro é sobre as relações intrincadas entre quatro dezenas de personagens, envolvidos numa teia de amores secretos, traições, assassinatos brutais e suicídios. Quase tudo isso foi extirpado da trama para concentrar-se no passado de um dos personagens (Padre Dinis), sendo que a linha temporal da juventude do sacerdote sequer foi contada em "Mistérios de Lisboa", mas sim na obra seguinte do autor, "O Livro Negro do Padre Dinis". Não entendi o propósito de juntar ambas as tramas num único filme quando cada livro já é complexo por si só, e muito menos a decisão de eliminar algumas das passagens mais interessantes da obra original quando há mais do que tempo sobrando para tentar abarcar tudo.
Apesar de excessivamente longa e em alguns trechos assemelhar-se a um novelão televisivo (tem Ricardo Pereira no elenco, ator português que também fez novelas na Globo, mas ele dá conta de seus papéis), a adaptação de Ruiz do livro de Camilo Castelo Branco parece satisfatória (não li o romance) e é bastante assistível.
Filme impressionante.
A grandiosidade da qualidade aqui faz muitíssimo jus a grande duração do longa.
Raoul Ruiz explora com muito talento e propriedade cada minuto. Cada sequência é envolvente. Cada nova trama revela um presente marcado por alguma amargura e desilusão existente, ou reconta uma história do passado em que um mundo de novos sentimentos e acontecimentos são descortinados aos olhos do espectador e personagens.
A maneira como a narrativa entrelaça cada história viajando por vários personagens, destinos e dores de todos os tamanhos, em várias épocas, é fascinante. As ligações entre todas essas figuras desse grandioso labirinto de época melodramático é desenhada com muita coerência, sensibilidade, inteligência e emoção.
Instigante e de estilo clássico, 'Mistérios de Lisboa' é repleto de melancolia por trás de dolorosos segredos.
Um dos filmes mais interessantes desse início de século. Obra obrigatória.
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Excelente.
Essa obra é incrível e tem uma grandiosidade como a muito tempo não se via no cinema. Confesso que as quatro horas e meia inicialmente me assustaram, mas próximo ao final não queria mais que todo aquele ciclo de emoções tivesse um fim. Ainda não tive o prazer de ler a obra de Castelo Branco, mas Raúl Ruiz consegue trazer uma dinâmica na adaptação, desvendando aos poucos o mistério de cada um de seus personagens. Uma sociedade aparentemente tão bela, mas repleta de "podres", infelicidades e desejo de vingança - difícil achar alguém feliz naquele meio. Talvez o maior problema seja o elenco, na sua maioria com atuações superficiais, mas que não chega a tirar pontos desse belíssimo épico!