Tsidi, uma mãe solo, é forçada a morar com a mãe, Mavis, uma trabalhadora doméstica, com quem tem uma relação distante e que cuida obsessivamente de sua catatônica “senhora” branca. Enquanto Tsidi tenta curar sua família, um espectro sinistro começa a se mover.
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O filme tem vários aspectos que eu gosto. Ambiente claustrofóbio, trauma que vai sendo revelada aos poucos, não tem sustos gratuitos e apelativos. Acho que muitas pessoas vão achar o filme monótono e perecendo que não está acontecendo nada, principalmente quem não consegue se concentrar ou fica mexendo no celular. Aqui o vilão é a própria trama, os detalhes, os dramas das personagens.
Se "Que Horas Ela Volta?" fosse dirigido por uma dobradinha de Nikyatu Jusu (diretora do ótimo "Nanny") e Jordan Peele, o resultado seria esse filme.
O filme se constroi lentamente, muito no campo do terror psicológico e simbólico. Até porque o filme é sobre símbolos, relações e demarcadores sociais.
A diretora (surpreendentemente branca) Jenna Cato Bass, encontra soluções ricas para contornar um orçamento que provavelmente foi baixo e aposta (acertadamente) na forte atuação de Chumisa Kosa e na atmosfera opressora de uma casa de classe média. O design de som aqui também é peça chave e é MUITO bem feito.
Apesar de sul-africano e de lidar com as consequências muito específicas do apartheid na África do Sul, esse filme poderia muito facilmente se passar no Brasil.
Ela evita exposição e muito é contado no não dito e isso é excelente.
Minha questão maior com o filme é o ritmo mesmo. Sinto que ele se beneficiaria de um rearranjo de roteiro pare deixá-lo um pouco mais dinâmico. O problema não é a duração, pois ele tem quase exatamente 90 minutos. A vela dele queima devagar demais para o meu gosto, de um jeito que eu sinto que prejudica um pouco o filme.
Mas assim também... quando ele se mexe, ele mete o pé na jaca.
Um suspense onde o terror fica nas entrelinhas, com muito foco na cultura africana, e com questões sociopolíticas no fundo da trama, bom filme.
Drama e horror psicológico competente. Apesar da repetição exagerada de elementos nos seus primeiros 40 minutos, o filme consegue recuperar o fôlego inserindo novas camadas e dando sentido ao que já sabíamos, o que o torna mais pesado, cruel e sombrio.
Vou ficar bem atento aos próximos trabalhos da Jenna Cato Bass.
Venho gostando muito das produções da Shudder também.
O verdadeiro filme de Horror é a tentativa de hype.