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Na periferia de uma cidade sueca, uma multidão observa homens, mulheres e crianças nus serem levados à morte em um caminhão. Um homem simples de meia-idade vira-se para a câmera e começa uma visita guiada à sua vida, mostrando seu casamento sem amor, seu emprego tedioso e suas atividades cotidianas.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
A apatia da sociedade do século XX em 15 min de filme.
A cena inicial é chocante e dá o tom do que essa obra quer dizer.
Acho engraçado a tentativa frustrada de tentar se criar uma sinopse com algum fio narrativo quando não existe um. Roy Andersson é sempre impressionante de se assistir, mas seus filmes não são fáceis e não nos conduz a uma história a ser contada na maioria das vezes. São cenas, cada cena conta algo, um momento, um sentimento, uma crítica ou até uma comédia. Este curta não foge a regra, e impressiona assim como tudo do diretor que já tenha assistido. Cada cena é um quadro, lindamente pintado pela fotografia perfeita, mas um quadro em movimento. Para quem gosta do diretor eu super indico. Desconcertante e profundo.
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Existe uma enorme diferença entre o humor brasileiro e o sueco. Este último nos causa estranhamento porque talvez não o compreendamos logo de cara, mas com o tempo conseguimos nos familiarizar com esse estilo tão irônico e inteligente de tornar as coisas risíveis.
Os suecos preferem rir de si mesmos, usar o silêncio e pausas constrangedoras, ácidas. Roy Andersson é um mestre nessa técnica e frequentemente quebra a 4a parede, quase como se nos cutucasse com o cotovelo.
Seus filmes abusam desse humor sutil, frio como gelo, autodepreciativo e absurdo. Seu cinema tem um estilo único e diferente de tudo o que se vê por aí. Ele brinca com a forma: usa cenários de cores pálidas, narrativas nonsense, pessoas estáticas como manequins vivos numa indiferença coletiva.
Todos esses elementos estão presentes em "Mundo de Glória" (Härlig är Jorden), um curta de 1991 que tem como enredo o cotidiano de um homem comum: seu trabalho tedioso, sua rotina solitária, sua religiosidade hipócrita que camufla um tipo de maldade banal, retratada logo na primeira cena do filme.
Andersson é, ao mesmo tempo, um poeta triste e um filósofo brincalhão.
"A vida é muito curta, não é mesmo?"
Mundo de Glória (Härlig är jorden. Suécia, 1991)
Direção: Roy Andersson.
Com: Klas-Gösta Olsson.
O fabuloso cinema de Roy Andersson chegou pra mim apenas recentemente com "Um Pombo Pousou Num Galho Refletindo Sobre a Existência" , que vi no cinema anos atrás e nunca mais esqueci.
A Mubi tem em seu catálogo o mais recente filme do diretor, " Sobre a Eternidade " e esse curta sensacional "Mundo de Glória ".
Na história, um homem fala sobre sua vida olhando diretamente para a câmera, pra nós.
Nos conta sobre o seu trabalho como corretor de imóveis, o seu pai morto, a sua casa, seus bens e assim por diante.
Seria tudo normal se os personagens não transparecessem uma certa apatia.
Existe ali nas vidas uma ausência de emoções, uma desolação do indivíduo para com ele mesmo.
Logo na primeira cena, esse homem está diante de uma cena horrível: homens, mulheres e crianças estão sendo colocados nus dentro de um caminhão baú. A porta fecha e uma mangueira liga o escapamento do caminhão ao baú onde essas pessoas estão presas.
Elas se debatem enquanto o caminhão fica dando voltas pelo local. Esse homem fica nos encarando.
É um filme arrebatador. De um diretor ímpar na cinematografia mundial.
#cinemasueco
#royandersson
Senti calafrios durante o filme inteiro. O olhar do protagonista, meu Deus do céu.