Só o feito de ter registrado essas situações ao extremo frio já vale todas as estrelas. Sempre ouvi falar desse doc e finalmente assisti. Bem interessante. Histórico.
- como que saiu aquele tanto de gente de dentro daquele barquinho??? que gastura que deu, fiquei imaginando se ele virasse na água - o ser humano é bem resiliente mesmo, que vida dura a desse povo - maior parte do tempo é só caçando, fiquei com dó dos bichinhos - o nanook é muito resenha, entendo o diretor
Nanook of the North é o tipo de filme que prova que, às vezes, filmar a realidade é… superestimado. Sim, eu sei: o rótulo de “documentário encenado” pesa sobre ele como uma nevasca interminável, e há quem torça o nariz para qualquer coisa que não seja 100% natural. Eu, francamente, não ligo. Meu único termômetro é: as imagens me prendem? Se a resposta for sim, pouco importa se o diretor Flaherty pediu para Nanook sorrir para a câmera antes de caçar uma foca.
Porque imagens, isso ele entrega — e com um senso de exotismo irresistível. O barco que mais parece um caiaque mágico de onde saem pessoas infinitas (nem sei se fisicamente aquilo é possível), as cenas da família caçando, construindo iglus, enfrentando a fome e o frio como se cada dia fosse uma final de campeonato… tudo isso cria um retrato vívido de um mundo que, antes do filme, eu só associava a “pessoas que moram em iglus” e pronto. Aqui, vemos a vida toda: a caça, o improviso, o riso, os cães briguentos e até momentos de ternura que aquecem mais que um casaco de pele.
O problema é que Nanook é menos épico e mais crônica. É como folhear o álbum de fotos de uma família incrível, mas que nunca sai da cidade natal — você se encanta, mas espera secretamente que venha um “plot twist” na próxima página. Falta-lhe o arco dramático que transforma boas imagens em uma grande história. Talvez por isso eu não consiga deixar de compará-lo a Chang (1927), que, embora também documental com muitas doses encenadas, constrói um suspense digno de aventura, com elefantes, dilemas e catarse. Em Nanook, o drama está no cotidiano, mas não chega a atingir aquela tensão de “e agora?”.
Ainda assim, como cápsula do tempo, ele é fascinante. Estamos falando de um registro de mais de 100 anos que, mesmo com truques de bastidores, ainda nos transporta para um lugar, uma cultura e um modo de vida que a maioria de nós nunca verá de perto. Talvez não seja uma aventura com A maiúsculo, mas é um convite irresistível para espiar pela fresta de um iglu — e, nesse frio todo, até um sorriso encenado ajuda a aquecer.
O homem pós-contemporâneo com uma coleção de transtornos mentais, e os esquimós vivendo num lugar inóspito caçando até urso polar. Eu assistindo esse doc, me sentindo insignificante e com pena dos animais, não sobreviveria nem 24 horas nessa condição.
Poderia ser louvável como um dos melhores documentários já feitos, simplesmente pela dificuldade técnica em realizá-lo (estamos falando de 100 anos atrás), mas podemos idem louvá-lo pelo retrato do ser humano em seu estado primordial, onde a única preocupação do dia a dia é a sobrevivência, no seu sentido mais estrito. As cenas explícitas de caças e maus tratos a animais, podem chocar alguns expectadores
Só o feito de ter registrado essas situações ao extremo frio já vale todas as estrelas. Sempre ouvi falar desse doc e finalmente assisti. Bem interessante. Histórico.
- como que saiu aquele tanto de gente de dentro daquele barquinho??? que gastura que deu, fiquei imaginando se ele virasse na água
- o ser humano é bem resiliente mesmo, que vida dura a desse povo
- maior parte do tempo é só caçando, fiquei com dó dos bichinhos
- o nanook é muito resenha, entendo o diretor
Nanook of the North é o tipo de filme que prova que, às vezes, filmar a realidade é… superestimado. Sim, eu sei: o rótulo de “documentário encenado” pesa sobre ele como uma nevasca interminável, e há quem torça o nariz para qualquer coisa que não seja 100% natural. Eu, francamente, não ligo. Meu único termômetro é: as imagens me prendem? Se a resposta for sim, pouco importa se o diretor Flaherty pediu para Nanook sorrir para a câmera antes de caçar uma foca.
Porque imagens, isso ele entrega — e com um senso de exotismo irresistível. O barco que mais parece um caiaque mágico de onde saem pessoas infinitas (nem sei se fisicamente aquilo é possível), as cenas da família caçando, construindo iglus, enfrentando a fome e o frio como se cada dia fosse uma final de campeonato… tudo isso cria um retrato vívido de um mundo que, antes do filme, eu só associava a “pessoas que moram em iglus” e pronto. Aqui, vemos a vida toda: a caça, o improviso, o riso, os cães briguentos e até momentos de ternura que aquecem mais que um casaco de pele.
O problema é que Nanook é menos épico e mais crônica. É como folhear o álbum de fotos de uma família incrível, mas que nunca sai da cidade natal — você se encanta, mas espera secretamente que venha um “plot twist” na próxima página. Falta-lhe o arco dramático que transforma boas imagens em uma grande história. Talvez por isso eu não consiga deixar de compará-lo a Chang (1927), que, embora também documental com muitas doses encenadas, constrói um suspense digno de aventura, com elefantes, dilemas e catarse. Em Nanook, o drama está no cotidiano, mas não chega a atingir aquela tensão de “e agora?”.
Ainda assim, como cápsula do tempo, ele é fascinante. Estamos falando de um registro de mais de 100 anos que, mesmo com truques de bastidores, ainda nos transporta para um lugar, uma cultura e um modo de vida que a maioria de nós nunca verá de perto. Talvez não seja uma aventura com A maiúsculo, mas é um convite irresistível para espiar pela fresta de um iglu — e, nesse frio todo, até um sorriso encenado ajuda a aquecer.
O homem pós-contemporâneo com uma coleção de transtornos mentais, e os esquimós vivendo num lugar inóspito caçando até urso polar. Eu assistindo esse doc, me sentindo insignificante e com pena dos animais, não sobreviveria nem 24 horas nessa condição.
Poderia ser louvável como um dos melhores documentários já feitos, simplesmente pela dificuldade técnica em realizá-lo (estamos falando de 100 anos atrás), mas podemos idem louvá-lo pelo retrato do ser humano em seu estado primordial, onde a única preocupação do dia a dia é a sobrevivência, no seu sentido mais estrito. As cenas explícitas de caças e maus tratos a animais, podem chocar alguns expectadores
eu particularmente fiquei morrendo de dó da raposinha