Assisti a esse sem imaginar muito bem do que que ia se tratar. Talvez imaginasse não sei se uma coisa romantizada, mas uma coisa um pouquinho mais alto-astral, não sei dizer. E aí não foi o que eu encontrei, obviamente. É um documentário bastante sóbrio, como quase toda a filmografia do Ferrara. Ele não é alguém super alto-astral o tempo todo, apesar de Go Go Tales, O Rei de Nova York e outros filmes até terem momentos de festejo. Mas a maior parte das vezes ele é alguém bastante realista no sentido de que ele vê como é dura a vida de seus personagens. E aqui eu vejo que ele entrevista pessoas que poderiam ser personagens se seus filmes de ficção. A consequência da miséria é muito bem mostrada, ao contrário da causa, que é extremamente confusa e complexa. Gosto de como são trazidas pessoas da gestão pública que explicam que sabem que existe um problema, que talvez até a causa seja óbvia, mas que não conseguem encontrar uma solução. Também é deixado bem claro o lado que o filme assume, principalmente quando um discurso extremamente racista toma forma pela boca de um jornalista, porém é imediatamente refutado por alguém que está no cotidiano destes jovens que soam fadados a um destino igual ao dos mais velhos. Ainda falando sobre os problemas que todos ali vivem, é muito rico como várias pessoas possuem voz dadas a elas, sejam estas pessoas fictícias ou reais. Ninguém está imune a ter a vida atingida por aquela miséria ali, seja na cadeia, seja dentro da própria família, nas ruas, etc. Difícil. Pra quem gostou, recomendo Os chefões, também do Ferrara.
Assisti a esse sem imaginar muito bem do que que ia se tratar.
Talvez imaginasse não sei se uma coisa romantizada, mas uma coisa um pouquinho mais alto-astral, não sei dizer.
E aí não foi o que eu encontrei, obviamente.
É um documentário bastante sóbrio, como quase toda a filmografia do Ferrara. Ele não é alguém super alto-astral o tempo todo, apesar de Go Go Tales, O Rei de Nova York e outros filmes até terem momentos de festejo. Mas a maior parte das vezes ele é alguém bastante realista no sentido de que ele vê como é dura a vida de seus personagens. E aqui eu vejo que ele entrevista pessoas que poderiam ser personagens se seus filmes de ficção.
A consequência da miséria é muito bem mostrada, ao contrário da causa, que é extremamente confusa e complexa. Gosto de como são trazidas pessoas da gestão pública que explicam que sabem que existe um problema, que talvez até a causa seja óbvia, mas que não conseguem encontrar uma solução.
Também é deixado bem claro o lado que o filme assume, principalmente quando um discurso extremamente racista toma forma pela boca de um jornalista, porém é imediatamente refutado por alguém que está no cotidiano destes jovens que soam fadados a um destino igual ao dos mais velhos.
Ainda falando sobre os problemas que todos ali vivem, é muito rico como várias pessoas possuem voz dadas a elas, sejam estas pessoas fictícias ou reais. Ninguém está imune a ter a vida atingida por aquela miséria ali, seja na cadeia, seja dentro da própria família, nas ruas, etc.
Difícil.
Pra quem gostou, recomendo Os chefões, também do Ferrara.
Ótimo documentário que expõe a triste realidade de uma cidade que parece ser tão fascinante. Só não gostei das cenas ficcionais.
Escancara sem medo a triste realidade de uma cidade inteira envolvida com a máfia.
siamo figli del Vesuvio...
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