No pós Segunda Guerra, entre os escombros de uma Nápoles tomada pela pobreza, os pequenos Carmine e Celestina tentam sobreviver ajudando-se mutuamente. Uma noite, eles embarcam em um navio com destino a Nova York como passageiros clandestinos para morar com a irmã de Celestina, que havia emigrado anos antes.
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Uma pena quando criam um cadastro tão incompleto quanto o deste filme... Deixaram até a Anna Ammirati de fora do elenco...
O filme segue uma lógica bem hollywoodiana, finalzinho feliz e etc, nada muito pesado, tudo dentro da estética de Hollywood. Provavelmente nas mãos de Fellini teríamos um longa bem diferente deste. Apesar disso, é um bom filme, com algumas críticas mais explícitas, outras implícitas, trazendo bons questionamentos ao "ideal de liberdade" dos USA e à questão da imigração, possível fazer muitos paralelos atuais com isso.
Não é um filme grandioso, mas cumpre bem ao que se propõe e conta com um elenco bem afiado.
Napoli – Nova York
(2024, de Gabriele Salvatores)
Filme de abertura da 20ª edição do Festival de Cinema Italiano no Brasil, o drama de época assinado por Gabriele Salvatores tem inspiração em uma história real de Federico Fellini e Tullio Pinelli (roteirista e parceiro de trabalho de Fellini em clássicos como ‘A doce vida’, ‘A estrada da vida’ e ‘Noites de Cabíria’). Salvatores obteve os direitos da obra, deu novo tratamento ao roteiro engavetado e manteve boa parte das ideias originais de Fellini, que na época não seguiu com o projeto pois estava na fase final da carreira, rodando ‘E la nave va’. Salvatores manteve quase que a totalidade do primeiro ato, que se passa no navio. Com traços de ‘Manhattan’ e ‘Era uma vez na América’ – este, um dos trabalhos preferidos de Salvatores, o drama acompanha a jornada de duas crianças órfãs naturais de Nápoles, Celestina (Dea Lanzaro) e Carmine (Antonio Guerra), que deixam a Itália rumo à América, em busca de lugar melhor para viver. Eles perderam tudo na Itália do pós-guerra, época de terra arrasada, e embarcam clandestinamente num navio que navega por semanas até os Estados Unidos. Até pisarem em solo americano, Carmine e Celestina encontram um esconderijo no navio e acomodam-se provisoriamente nos aposentados dos empregados.
Com delicadeza, o filme mostra a força de duas crianças numa corrida para a sobrevivência, estando no meio de milhares de imigrantes que vieram para a América construir uma nova vida. O diretor, que já teve filme premiado com o Oscar estrangeiro – ‘Mediterrâneo’ (1991), constrói uma história singela, de pano de fundo real, juntando poesia e lirismo, próprios de seu cinema. As crianças estão bem, e no elenco destaque para Omar Benson Miller, recentemente num papel marcante em ‘Pecadores, aqui como George, um funcionário do navio que acolhe o garoto e a garota, e Pierfrancesco Favino, rosto comum do atual cinema italiano, no papel do capitão da embarcação. Disponível gratuitamente no site do festival de cinema italiano até o dia 29/11.
POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb blogspotcom