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Data de lançamento
20 Fev. 2020Duração
Argélia, fevereiro de 2019. Um levante pacifista popular irrompe contra a candidatura do presidente Bouteflika para um quinto mandato, culminando em uma revolução. Nardjes, uma jovem argelina, participa do movimento para expressar a esperança de seu povo.
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assisti 30 minutos e tive que abandonar pois 1 hora e meia muito tempo para algo que melhor editado mais curto teria ficado ótimo.
Alguém sabe onde acho pra ver?
Filmado todo com um celular durante uma das manifestações do Hirak que tomaram as ruas da Argélia de 2019 até 2000 todas as sextas-feiras. É muito impressionante comparar as manifestações da Argélia com as Jornadas de Junho de 2013 no Brasil, pois fica mais que provado que todo levante popular sem um projeto político está fadado ao fracasso, protestar contra o status quo imposto sem apresentar uma via de solução só ajuda a extrema direita a se fortalecer. Este ano de 2023, em setembro, um especialista de direitos humanos da ONU pressionou o país a perdoar manifestantes condenados durante o Hirak, por mais que o primeiro ministro tenha renunciado em 2 de abril de 2019 (a manifestação do filme ocorre no dia 8 de março de 2019), o atual presidente era um ministro do governo anterior e o país continua tomado pelos militares. Nenhuma mudança veio com o Hirak, talvez tenha ficado até pior, portanto essencial fazermos uma analise. O filme podia focar um pouco mais na Argélia do que ficar só na manifestação por tanto tempo, tem uma tia gritando que lembra uma bolsonarista brasileira. O diretor, apesar de brasileiro, é descendente argelino por parte de pai e durante esse período na Argélia, além deste filme, fez o excelente Marinheiro das Montanhas.
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Queria que ele escolhesse um lado: ou é um filme sobre esse movimento de efervecência social, ou é um estudo de personagem sobre a protagonista. Ainda assim, estou longe de jogar o filme fora. Mas achei que tinha um ótimo curta-metragem nesse material, que Ainouz espreme muuuito pra transformar em um longa.
As manifestações de junho de 2013 nos mostraram o quanto não dá pra romantizar esse tal "povo na rua", do "gigante que acordou". Vimos o estrago que isso fez. Por isso me incomodou essa linha romântica, enaltecendo a juventude nas ruas que reivindicava pautas legítimas, desprezando as peculiaridades e complexidades que existem nesses atos - nessas pessoas que estão nos atos.
Outro ponto de incômodo foi a forma de se filmar e interagir com a personagem. Uma das coisas que mais gosto do Eduardo Coutinho é o compromisso ético/estético de dizer: olhar, eu estou aqui, tenho uma câmera na mão e uma equipe, estou diante da entrevistada e ela está se apresentando a partir de toda essa interação. No caso desse filme do Karim, ele opta por "esconder" essa produção e deixa Nardjes fingir que não tem uma pessoa diante dela com um celular na mão, lhe gravando. O resultado disso são algumas sequencias um pouco fakes, forçadas.
De ponto positivo, acho que vale destacar o resultado de imagens obtidas a partir de um celular e de uma produção de filmagens que durou 24 horas. Essa experiência técnica deu certo e é inspiradora.
Mas o doc parece ter sido feito por um iniciante, sem ousadia, padrão.