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Data de lançamento
1 Set. 2017Duração
Boris (Alexey Rozin) e Zhenya (Maryana Spivak) estão se divorciando. Depois de anos juntos, os dois se preparam para suas novas vidas: ele com sua nova namorada, que está grávida, e ela com seu parceiro rico. Com tantas preocupações eles acabam não dando atenção ao filho Alyosha (Matvey Novikov), que acaba desaparecendo misteriosamente.
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Pedrada
"Sem amor... não se pode viver sem amor"
O filme é um retrato cru da sociedade. Quantos Alyoshas devem ter existido e existem nesse exato momento?
Quando a mãe do garoto começa a falar sobre sua infância, sobre seu casamento e principalmente sobre sua mãe, explica-se muita coisa. São gerações de frustrados.
A mãe dela não a amava, era rude e autoritária, ela cresce e usa um relacionamento onde não havia amor para escapar de sua mãe, e sem querer acaba engravidando, seu filho desde o ventre já sofrendo rejeição nasce e ela não consegue o amar, da mesma forma que sua mãe não a amava, e seu relacionamento já em desgraça faz isso tudo acabar de maneira trágica.
Os pais se divorciam, seguem suas vidas e no final você ainda não ver a sonhada felicidade na face deles, e como poderiam ser felizes depois de tudo? Continuam alimentando ciclos viciosos e vazios. A mãe arruma mais uma vez um amor mais velho pra depositar sua vida em busca da felicidade, pra resgatá-la novamente de um relacionamento que ela odiava. O pai mais uma vez arranja uma jovem e a engravida, na expectativa de ter uma família feliz. É o retrato de uma sociedade fria, egoísta e cruel. É um filme muito deprimente e difícil de assistir. Mexeu muito comigo.
Loveless não é um filme fácil de assistir, pois mexe em feridas e ativa gatilhos que a gente nem sabia que tinha. E, mesmo depois que acaba, parece que essa sensação permanece apontando um dedo para a nossa consciência.
Sem dúvida, o cinema russo-soviético é pura arte. Nele não há vertentes comerciais ou de mero entretenimento. Seus filmes têm o condão de tratar temas sérios com realismo e, ao mesmo tempo, com uma linguagem estética irretocável.
Em Loveless cada cena tem seu significado e, na maioria das vezes, é necessário estar atento a essa linguagem cheia de simbolismos e elementos ocultos que irá nos levar ao núcleo dos conflitos internos das personagens, ou até mesmo nos indicar respostas ao que não é dito.
O filme nos conta a história do casal Boris e Zhenya, que passa por um divórcio conturbado. Eles têm um filho de 12 anos chamado Alyosha e vivem em um lar disfuncional onde não há afeto, cuidado ou qualquer vínculo emocional saudável entre eles, especialmente quanto ao menino, que é uma criança desprezada, negligenciada e, com frequência, humilhada e agredida verbalmente.
Os dias de Alyosha são um misto de tristeza e isolamento emocional, que se refletem em seu comportamento e na sua dificuldade de socialização. O enredo lança luzes sobre o individualismo, frustração e raiva, além do vazio afetivo na vida das personagens. Faz críticas contundentes ao uso nocivo das redes sociais e as rupturas que isso pode causar nas relações e na comunicação interpessoal. Retrata uma modernidade fútil e repleta de vaidades, a qual parece conduzir as pessoas ao egoísmo e superficialidade.
Em meio a todo esse turbilhão está Alyosha, que no silêncio de seu quarto costuma ver pela janela um mundo alheio à sua dor e ao qual não pertence, enquanto pelo lado de dentro do vidro, depara-se com uma realidade igualmente insuportável, onde ele sabe que é invisível e um estorvo a ser descartado por seus pais.
A partir daí o filme caminhará para momentos de muita angústia e desalento que se abate sobre as personagens e alcança também o público. Nesse ponto, nossos olhos já presos à tela compartilham das emoções dolorosas que marcarão para sempre aqueles pobres destinos.
Ao final, ficam lições amargas. Uma delas nos alerta para os erros do passado que poderão nos acompanhar pelo caminho e, ainda que nosso intuito seja recomeçar, eles nos trarão repetições das mesmas situações, indefinidamente.
Em minha opinião, há apenas um ponto negativo em Loveless: a construção meio misógina das personagens femininas. Emocionalmente doentes, vivem em função dos relacionamentos ora sendo esposas ciumentas, inseguras ou interesseiras, ora sendo mães tóxicas, desequilibradas e manipuladoras. Somente os homens têm um trabalho ou são detentores de recursos financeiros.
No mais, Loveless é uma experiência cinematográfica única, em vários aspectos. A beleza da fotografia é marcante desde o início e funciona como forte elemento narrativo. A câmera passeia lentamente pela paisagem silenciosa e vazia, que se conecta com perfeiçao à história. Uma árvore, que poderia simbolizar a família, mostra-se ressecada, vítima do frio intenso que arrancou suas folhas e seu viço. O rio de águas geladas insiste em seguir seu rumo, inóspito e ameaçador.
Assim é o mundo de Alyosha.
Como bem disse Scorsese: absolute cinema!
o filme tem um tom desesperançoso, cinza e frio. dolorido, cruel e próximo do real, dos maneirismos da nossa modernidade... a gente se coloca no lugar do alyosha o tempo todo, imaginando como ele se sentia. não num lugar adulto, mas nos reconectando com a criança que já fomos.
Passamos a compreender que os filhos são os reflexos dos seus pais a partir do momento em que a personagem principal irá visitar sua mãe. Da forma que são tratados por seus genitores e se não fazem terapia para ressignificar suas dores da infância, não há dúvidas que irão projetar suas dores, suas cicatrizes, raiva, falta de afeto em seus filhos. Sou Psicologo e digo que esse filme é uma prato cheio para você que aprecia observar o comportamento humano. Excelente drama.