Manila, final dos anos 1980, nos desdobramentos da Revolução do Poder Popular filipina. Entre fitas cassete de música pop e exercícios de inglês, a garota Yael descobre uma caneta que pode traduzir sentimentos nervosos, quem sabe para lidar com o contraditório mundo dos adultos.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Arrastadíssimo, acho que a diretora deveria ter tentado um curta em stop motion. A proposta de mostrar o mundo pela perspectiva da criança é batido e no caso do filme achei mal executado. Senti que terminei o filme sem levar nada dele, apenas as cenas de Yael cozinhando em miniaturas, que foram momentos de poesia e merecem uma atenção.
Bem simples e singelo, lembra muito a delicadeza de alguns diretores orientais, como Hirokazu Koreeda. A história não é muito complexa, acompanhamos, com pouquíssimas palavras, uma garotinha que tenta, por meio de sua imaginação, devaneios e impressões sobre o mundo ao seu redor, lidar com a confusão dos sentimentos dos adultos. Daí vem o nome do longa: perdida naquele caos, ela vê numa caneta mágica a solução para traduzir aqueles sentimentos nervosos.
Mas o mais interessante do filme é a composição das cenas, a cenografia. Tudo muito minuciosamente natural, detalhado, bonito e colorido. No silêncio das cenas, me peguei admirando, e sorrindo, cada objeto que foi colocado ali para despertar algum tipo de emoção, invocando sentimentos nostálgicos, de infância, e nervosos. É o primeiro longa da diretora (e tá de parabéns), que é uma arquiteta. Talvez venha daí sua atenção ao uso dos espaços.
[11/2018]