O diretor Michael Roemer e o fotógrafo Robert M. Young passaram vários meses no sul segregado preparando o roteiro para um filme com o romance improvável e depreciado entre Duff, um trabalhador ferroviário e Josie, uma professora. A produção independente em pequena escala – em si uma raridade na época – acabaria por emergir como um clássico excepcional do cinema dos EUA. Evitando tanto o dogmatismo político quanto a referência direta ao movimento dos direitos civis, o poder do filme reside em sua simplicidade formal e sua evocação sincera e naturalista da vida cotidiana de um casal negro em Birmingham, Alabama, nos anos de 1960. Uma repreensão brilhantemente despretensiosa à Hollywood centrada no branco, Nothing But a Man ousou excluir atores brancos de papéis de protagonistas e apresentar atores negros em close-ups bem enquadrados através do dia-a-dia de suas existências social e economicamente circunscritas. A potência e a poesia do realismo documental são aumentadas pela atuação notável e não afetada de Abbey Lincoln e Julius Harris em seus primeiros papéis e um comedido Ivan Dixon, cujo Duff adquire um status mítico enquanto tenta calmamente manter sua dignidade e sua alma diante da condescendência, hostilidade e crueldade – muitas vezes insidiosas e indiretas – que se tornaram rotina. À medida que Duff viaja de emprego em emprego, através do namoro, casamento e de volta ao seu início conturbado, ele tenta de alguma forma quebrar o ciclo em que tanto o homem quanto sua sociedade desempenharam papéis agudamente arraigados. É um filme que precisa ser visto e reverenciado...
Curiosamente foi lançado em um período político turbulento nos E.U.A, no ano de 1964, em plena agitação do Movimento dos direitos civis americano. É acima de tudo um documento, na maneira que retrata os homens e mulheres negras invisíveis pelas câmeras Hollywoodianas neste período dando voz a eles.
A trama coloca no centro um sujeito normal que vive uma vida aparentemente normal, com suas particularidades de seu próprio mundo, e pequenos detalhes que compõem sua rotina diária, seus anseios e defeitos. O diretor Michael Roemer lembra-nos que a discriminação é institucionalizada, um problema mais profundo que altercações verbais e de ataques físicos que os recentes filmes sobre o tema teimam em projetar.
A violência, não é sem dúvidas, mais insidiosa que o ciclo de pobreza e segregação que destrói famílias, leva os homens a beber até morte, propiciando um sentido menos que humano. É uma sociedade feroz que é particularmente mais cruel para as mulheres e crianças, e embora o filme se aproxime perigosamente para desculpar o comportamento abusivo de seu protagonista. Não o faz.
Rapidamente se transforma em um olhar tão refrescante e honesto em ser Negro nos anos 60 com atuações naturais e diálogos que ajudam a sua intenção. O filme de Roemer é fortemente politizado, devido à maneira como se concentra nas nuances da vida de seu protagonista.
Temas da injustiça racial, papéis sociais, maus-tratos, e os ciclos destrutivos são abordados com extrema sagacidade. Ele também propõe algumas questões interessantes sobre o que é ser um homem. E quando a auto-estima se transforma em ofuscante orgulho. Não apenas sobre um homem negro ou um homem branco - É simplesmente sobre um homem. É em seu próprio direito uma obra-prima atemporal inadvertidamente esquecida.
O diretor Michael Roemer e o fotógrafo Robert M. Young passaram vários meses no sul segregado preparando o roteiro para um filme com o romance improvável e depreciado entre Duff, um trabalhador ferroviário e Josie, uma professora. A produção independente em pequena escala – em si uma raridade na época – acabaria por emergir como um clássico excepcional do cinema dos EUA. Evitando tanto o dogmatismo político quanto a referência direta ao movimento dos direitos civis, o poder do filme reside em sua simplicidade formal e sua evocação sincera e naturalista da vida cotidiana de um casal negro em Birmingham, Alabama, nos anos de 1960. Uma repreensão brilhantemente despretensiosa à Hollywood centrada no branco, Nothing But a Man ousou excluir atores brancos de papéis de protagonistas e apresentar atores negros em close-ups bem enquadrados através do dia-a-dia de suas existências social e economicamente circunscritas. A potência e a poesia do realismo documental são aumentadas pela atuação notável e não afetada de Abbey Lincoln e Julius Harris em seus primeiros papéis e um comedido Ivan Dixon, cujo Duff adquire um status mítico enquanto tenta calmamente manter sua dignidade e sua alma diante da condescendência, hostilidade e crueldade – muitas vezes insidiosas e indiretas – que se tornaram rotina. À medida que Duff viaja de emprego em emprego, através do namoro, casamento e de volta ao seu início conturbado, ele tenta de alguma forma quebrar o ciclo em que tanto o homem quanto sua sociedade desempenharam papéis agudamente arraigados. É um filme que precisa ser visto e reverenciado...
Um clássico esquecido.
Curiosamente foi lançado em um período político turbulento nos E.U.A, no ano de 1964, em plena agitação do Movimento dos direitos civis americano. É acima de tudo um documento, na maneira que retrata os homens e mulheres negras invisíveis pelas câmeras Hollywoodianas neste período dando voz a eles.
A trama coloca no centro um sujeito normal que vive uma vida aparentemente normal, com suas particularidades de seu próprio mundo, e pequenos detalhes que compõem sua rotina diária, seus anseios e defeitos. O diretor Michael Roemer lembra-nos que a discriminação é institucionalizada, um problema mais profundo que altercações verbais e de ataques físicos que os recentes filmes sobre o tema teimam em projetar.
A violência, não é sem dúvidas, mais insidiosa que o ciclo de pobreza e segregação que destrói famílias, leva os homens a beber até morte, propiciando um sentido menos que humano. É uma sociedade feroz que é particularmente mais cruel para as mulheres e crianças, e embora o filme se aproxime perigosamente para desculpar o comportamento abusivo de seu protagonista. Não o faz.
Rapidamente se transforma em um olhar tão refrescante e honesto em ser Negro nos anos 60 com atuações naturais e diálogos que ajudam a sua intenção. O filme de Roemer é fortemente politizado, devido à maneira como se concentra nas nuances da vida de seu protagonista.
Temas da injustiça racial, papéis sociais, maus-tratos, e os ciclos destrutivos são abordados com extrema sagacidade. Ele também propõe algumas questões interessantes sobre o que é ser um homem. E quando a auto-estima se transforma em ofuscante orgulho. Não apenas sobre um homem negro ou um homem branco - É simplesmente sobre um homem. É em seu próprio direito uma obra-prima atemporal inadvertidamente esquecida.