O documentário de Jason Kohn investiga as narrativas que sustentam a indústria multibilionária de diamantes. Com uma trilha sonora original, personagens envolventes e um tema perturbador, 'Nothing Lasts Forever' é um estudo revigorante de como os mitos são formados.
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Um interessante documentário sobre a indústria de diamantes e o uso de um produto sintético, que vai muito além de discutir os impactos econômicos e a preocupação com as cifras, ainda que ponham os empresários contra a parede. Ao também enveredar por questões como o marketing das joias, a imagem criada para o consumo de artigos de luxo, as ideologias por trás de suas vendas, consegue sair do senso comum e entregar uma obra que nos faz pensar.
A edição sempre pode ser um problema ou uma grande solução para qualquer tipo de documentário, ou seja, é pedra basilar para medir sua qualidade e, aqui, não compromete em nada e entrega uma linha certeira, mesmo discutindo muitos problemas.
Acompanhar a evolução da linha de raciocínio é deliciosa. Vamos acompanhando como a indústria de diamantes detém certo monopólio de exploração e de como vai sendo criado um imagético poder sobre seu uso, uma pedra rara que precisa de certa ostentação. A aparição de uma indústria que produz sinteticamente o objeto faz abalar a estrutura do modelo tradicional, e aí a voz do marketing, que antes era contida, agora torna-se explícita. É como se a justificativa ficasse mais histriônica, capaz de um representante de uma grande empresa afirmar que a importância do diamante tem a ver com certo apelo sentimental mesmo, e não exatamente por razões práticas.
A partir de então o filme lança algumas pesquisas feitas, põe em dúvida a legitimidade das peças, e colhe depoimentos certeiros, para nos fazer refletir o quanto somos movidos a mesquinharias e a uma suposta busca por autenticidade.
Muito interessante também ver que o roteiro colheu depoimentos prós e contra de forma equilibrada, e com argumentos dos mais diversos, como por exemplo o fato de que a criação de diamantes pode contribuir para uma menor degradação ambiental, mas não irá suprir a lacuna por algo genuinamente feito pelas "mãos de Deus". Como não há resposta no filme, tudo fica muito entreaberto.
A sacada de que a indústria necessita de tal produção pois a durabilidade da peça joga contra o capitalismo da obsolescência programada, ou seja, de como os produtos realmente são feitos para não durar e necessitam ser constantemente trocados, põe a mesa uma discussão riquíssima, como se o ponto de partida inicial da indústria de diamantes fosse tão somente uma desculpa para se discutir a sociedade de mercado como um todo.
Senti falta de alguns dados para tentar dimensionar esse nicho, bem como o documentário não consegue localizar o expectador no espaço. Ainda assim, por conter ótimas discussões a respeito da economia de mercado, é uma produção recomendada e apta a garantir boas doses de reflexão.
Ótimo documentário. Bem informativo e com um tom até sarcástico sobre a hipocrisia e os métodos utilizados pela "indústria do diamante" para induzir as pessoas a continuar comprando a ilusão de que diamantes são a "prova de amor" definitiva para qualquer casal...
Além disso é mostrado como a indústria está tendo que se reinventar para sobreviver aos "diamantes genéricos" que na prática são tão verdadeiros quanto os "originais" e muito mais baratos.
Por mais criativas que sejam as narrativas inventadas pelos magnatas do diamante, parece que é só uma questão de tempo para esse mercado entrar em colapso. Ciente disso e tentando minimizar os danos a indústria agora chega ao ponto de ter que abraçar os diamantes sintéticos e vendê-los por uma fração do preço dos ditos "verdadeiros".
E no final fica a mensagem de que não importa se o diamante sintético será idêntico ou não ao natural, as pessoas vão continuar atribuindo o valor que quiserem ao produto. E para sorte da indústria, a motivação pra alguém continuar pagando milhões por um diamante é muito mais emocional do que racional.