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O Amor Natural (Holanda, 1995), da holandesa Heddy Honigman, é um agradável documentário sobre um produto da literatura brasileira descoberto apenas recentemente: os poemas eóticos de Carlos Drummond de Andrade, falecido em agosto de 87. É um trabalho simples, às vezes delicioso sobre os poemas que Drummond não quis ver publicados enquanto vivo, respeitando ainda o período em que a sua companheira também permaneceu viva. O Amor Natural permanece sem distribuição no Brasil.
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Achei que o filme acabou mostrando bem a desigualdade social da cidade. Legal ver a burguesia toda moralista, que vive criticando o teor sexual de músicas populares, aceitando o conteúdo quando vem do Drummond. "Ah, mas os poemas são diferentes." Claro, quem é que está no mesmo nível do Drummond? Mas o conteúdo sexual não está restrito à cultura popular, que os moradores de Copacabana tanto criticam.
Poderia ter-se pensado nesse documentário em explorar a questão do machismo - que é gritante - o qual as mulheres eram impostas e acabavam reproduzindo. De forma meia boca o machismo foi até romantizado.
O título do filme é “O amor natural”, mas que de natural ele não tem é nada.
A produção holandesa percorre o Rio de Janeiro, apresentando para os moradores da cidade poemas eróticos escritos por Carlos Drummond de Andrade.
Do ponto de vista literário, ótimo. São poesias pouco conhecidas e que revelam que o poeta entendia muito de sexo e que tinha uma capacidade enorme de, com as palavras corretas, tornar atraente algo que é moralmente um tabu (ainda mais em uma sociedade de quase 20 anos atrás).
Só que do ponto de vista cinematográfico, o filme é terrível. A intenção era mostrar a reação de “pessoas comuns” diante dos poemas. No entanto, é notório que quem está ali são atores ou pessoas que nitidamente interpretam sua cena, como bem queria a direção. Aliás, pude reconhecer uns dois ou três que de fato são atores. As reações, portanto, soam falsas e previsíveis, o que destrói o caráter documental da obra.
Portanto, para quem gosta de Drummond (e de sexo verbal), é um bom filme. Mas para quem gosta de cinema (e ainda mais se tiver acostumado com Eduardo Coutinho), a obra é incômoda.
Drummond é genial! o documentário é interessante mas não gostei dos diálogos com a entrevistadora "gringa" em momentos ela me pareceu grossa é até fazendo juízo de valor. Mas vale a pena ver...