Aqui, vemos um homem indescritível ser arremessado para o interior de um apartamento sinistro onde os objetos conspiram contra ele: o espelho se recusa a refletir sua face, a caneca ou a cadeira mudam de tamanho, a colher, repleta de furos, não lhe permite tomar a sopa, o ovo é tão duro a ponto de furar a mesa...
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Louco é pouco
Em isolamento social por causa da Covid, me sinto exatamente como esse cara!
o mundo é regular, previsível, "matematizável": só por isso ele é ainda suportável; queria eu que tudo fosse orgânico, a densidade da madeira fosse intuitiva, a dureza de um ovo fosse arbitrariamente indecisa, os objetos se recusassem, num ato de revolta, a serem pragmáticos... mas caso assim fosse, já estaríamos todos enforcados e podres num circo surrealista
quer mais modernidade do que isso? plasticidade, tudo se fazendo em farelos, quer dizer, é porque tudo está realmente em ruína... o homem moderno é aquele que pega do chão todo o pó das grandes belas conquistas e obras da antiguidade (a honra, as esculturas, os signos maravilhosos por detrás de toda banalidade) e assopra ao nada; não tem mais nada pra fazer a não ser destruir; nosso ideal estético é agora também as cinzas
Para mim um dos mais viajados do Svankmajer.
Não esperaria outro coisa de um curta de Svankmajer com um poster desses remetendo diretamente a René Magritte.