“Bedlam”, de 1946, conhecido no Brasil como Asilo Sinistro, é um daqueles filmes que carregam uma premissa muito boa, mas que não é tudo isso que muitos pintam. Ele tem bons momentos, um clima pesado que funciona em várias cenas, e ideias interessantes sobre poder, loucura e abuso institucional. Mas o começo é bem chato — arrastado, preocupado demais em estabelecer a alta sociedade e seus diálogos afetados — e só
é que o filme finalmente rende as melhores cenas e se desenvolvem os melhores relacionamentos entre personagens, mostrando o potencial que já parecia estar ali, mas que o roteiro demorou para destravar.
É justamente dentro do Bedlam que a história ganha vida. A protagonista começa a observar de perto a humanidade daqueles internados, e o filme passa a trabalhar uma crítica social clara sobre quem realmente são os “loucos”: os esquecidos pela sociedade ou os que administram o lugar? Nesse ponto, a narrativa flui de verdade, com momentos tensos, humanos e até surpreendentes, criando um contraste enorme com a lentidão do início.
O personagem de Boris Karloff, Master George Sims, é muito pau no cu. Ele abusa de seus poderes, manipula tudo o que pode ao seu bel prazer e controla o Bedlam como se fosse seu reino pessoal. Karloff entrega aquele tipo de atuação fria, calculista e ao mesmo tempo carismática,
E cobra mesmo: no final ele se fode, sendo concretado atrás da parede enquanto ainda estava vivo — uma ironia brutal, considerando todo o sofrimento que ele mesmo causou aos outros. O desfecho funciona bem porque amarra a crítica moral do filme, devolvendo ao vilão exatamente o tipo de destino que ele achava que podia impor aos demais sem consequências.
No geral, “Asilo Sinistro” é um filme que funciona bem quando foca na tensão dentro da instituição, na relação de Nell com os internos e nessa virada moral que coloca opressores e oprimidos em lados inesperados. Não é tudo isso, tem seus tropeços e um começo realmente cansativo, mas quando engrena entrega momentos fortes, personagens interessantes e um final que faz valer a jornada, mesmo com seus altos e baixos.
Tudo bem que os méritos são direcionados prioritariamente ao produtor Val Lewton, mas, como o diretor Mark Robson também é roteirista desta obra, e vi três filmaços dele realizados neste mesmo período, assumo-me como fã deste realizador, sobremaneira político na translação da temática do horror para a conjuntura histórica (a guerra no anterior A ILHA DOS MORTOS; a corrupção no período iluminista, aqui). Boris Karloff comprova, a cada novo título, que é, sim, um ator poderoso, não apenas um intérprete caricatural. Muito bom o modo como os ditames orgânicos da religião 'quaker' são inseridos, à guisa de motivação ativa para a excelente personagem feminina desta obra. Antecipa alguns dos aspectos que vimos da ótima segunda temporada da telessérie "História de Horror Americana". Incrivelmente bom: saí da sessão com medo, pois reavivou traumas de infância, relacionados a ameaças de internação psiquiátrica. Super elegante e repleto de camadas enredísticas. Um suspense adulto, recomendo bastante! (WPC>)
A estória é interessante mais muita conversa para pouca ação . Não consegui assistir o dublado pois o som estava péssimo . Atuações muito teatrais mais é coisa da época. Não é um filme de terror . Regular .
Apesar do título nacional não é Terror e sim um bom Melodrama de época ,que critica o desdém das classes abastadas em relação aos pobres e também expõe o péssimo tratamento dado aos doentes mentais nas instituições psiquiátricas do período. Karloff está ótimo como vilão mas o protagonismo fica com Anna Lee e seu personagem que passa de esnobe Socialite a abnegada cuidadora .
“Bedlam”, de 1946, conhecido no Brasil como Asilo Sinistro, é um daqueles filmes que carregam uma premissa muito boa, mas que não é tudo isso que muitos pintam. Ele tem bons momentos, um clima pesado que funciona em várias cenas, e ideias interessantes sobre poder, loucura e abuso institucional. Mas o começo é bem chato — arrastado, preocupado demais em estabelecer a alta sociedade e seus diálogos afetados — e só
quando Nell é confinada junto com os loucos
É justamente dentro do Bedlam que a história ganha vida. A protagonista começa a observar de perto a humanidade daqueles internados, e o filme passa a trabalhar uma crítica social clara sobre quem realmente são os “loucos”: os esquecidos pela sociedade ou os que administram o lugar? Nesse ponto, a narrativa flui de verdade, com momentos tensos, humanos e até surpreendentes, criando um contraste enorme com a lentidão do início.
O personagem de Boris Karloff, Master George Sims, é muito pau no cu. Ele abusa de seus poderes, manipula tudo o que pode ao seu bel prazer e controla o Bedlam como se fosse seu reino pessoal. Karloff entrega aquele tipo de atuação fria, calculista e ao mesmo tempo carismática,
mas o filme deixa claro desde sempre que a postura dele cobra seu preço.
E cobra mesmo: no final ele se fode, sendo concretado atrás da parede enquanto ainda estava vivo — uma ironia brutal, considerando todo o sofrimento que ele mesmo causou aos outros. O desfecho funciona bem porque amarra a crítica moral do filme, devolvendo ao vilão exatamente o tipo de destino que ele achava que podia impor aos demais sem consequências.
No geral, “Asilo Sinistro” é um filme que funciona bem quando foca na tensão dentro da instituição, na relação de Nell com os internos e nessa virada moral que coloca opressores e oprimidos em lados inesperados. Não é tudo isso, tem seus tropeços e um começo realmente cansativo, mas quando engrena entrega momentos fortes, personagens interessantes e um final que faz valer a jornada, mesmo com seus altos e baixos.
Assistido em 27/11/2025
Tudo bem que os méritos são direcionados prioritariamente ao produtor Val Lewton, mas, como o diretor Mark Robson também é roteirista desta obra, e vi três filmaços dele realizados neste mesmo período, assumo-me como fã deste realizador, sobremaneira político na translação da temática do horror para a conjuntura histórica (a guerra no anterior A ILHA DOS MORTOS; a corrupção no período iluminista, aqui). Boris Karloff comprova, a cada novo título, que é, sim, um ator poderoso, não apenas um intérprete caricatural. Muito bom o modo como os ditames orgânicos da religião 'quaker' são inseridos, à guisa de motivação ativa para a excelente personagem feminina desta obra. Antecipa alguns dos aspectos que vimos da ótima segunda temporada da telessérie "História de Horror Americana". Incrivelmente bom: saí da sessão com medo, pois reavivou traumas de infância, relacionados a ameaças de internação psiquiátrica. Super elegante e repleto de camadas enredísticas. Um suspense adulto, recomendo bastante! (WPC>)
Uma denúncia açucarada, que separa os bons dos maus e dos loucos.
A estória é interessante mais muita conversa para pouca ação . Não consegui assistir o dublado pois o som estava péssimo . Atuações muito teatrais mais é coisa da época. Não é um filme de terror . Regular .
Apesar do título nacional não é Terror e sim um bom Melodrama de época ,que critica o desdém das classes abastadas em relação aos pobres e também expõe o péssimo tratamento dado aos doentes mentais nas instituições psiquiátricas do período. Karloff está ótimo como vilão mas o protagonismo fica com Anna Lee e seu personagem que passa de esnobe Socialite a abnegada cuidadora .