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Duração
É possível dividir o século XX em planos quadrienais? Que relação existe entre a cultura e o comércio de sucata? Qual é o poder dos meios de comunicação de massa? Uma jovem médica se sente desnecessária. Uma família se senta diante de seu computador como se estivesse defronte de uma lareira. Um apressado. Pessoas se separam. Uma educadora (Jutta Hoffmann) precisa entregar a parentes uma criança que perdeu os pais e de quem ela cuidou durante um ano. Ao ver a forma como a criança é recebida, resolve mantê-la consigo. Por fim, a história do diretor de cinema cego. Ele perdeu a visão durante os trabalhos de filmagem e roda seu mais belo filme. O presente se enfatua. Mas sem a história pregressa e o futuro, sobretudo na forma de possibilidade, não existe realidade: o ataque do presente contra o resto do tempo.
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putz eu queria tanto pelo menos ter a oportunidade de tentar entender esse filme...ah se eu o achasse!
Vanguarda.
O que falar deste filme? Bem, é difícil. Sintetizar na forma escrita o que é presenciado pela janela da alma, e ainda mais difícil, conceituar quase na corda bamba dos meios termos e adjetivos uma composição do que é visto em 90 minutos de sequencias e pequenas historias, que ao primeiro instante podem parecer confusas, sem sentido, como mais um filme “cabeça”, desses que tem por aí. E é um filme cabeça contudo, não desses que tem por aí.
Logo percebe-se que as sequencias são puramente contemplativas em todo o decorrer do filme, proporcionando reflexões em quem as vê, tais reflexões talvez demorem a chegara um resultado satisfatório de conclusão mental, e quando se estiver vendo a terceira sequencia, se pegará pensando ainda na primeira sequencia que passou, e “pior” ainda, tentando digeri-la, organiza-la em um paradigma mental vigente.
Todas as sequências têm em seu cerne a questão do tempo, tempo esse não definido como o conhecemos, é muito maior que isso, é outra lógica, uma percepção quase filosófica fundamentada na teoria de que todo o tempo da existência está inserido em um plano quadrienal, partindo daí já começa a difícil trajetória do entendimento mas, ainda sim, uma trajetória desafiadora.
A simbologia transborda nas sequencias de imagens, como é o caso dos trechos dos filmes mudos, (o tempo na sua forma de fluxo) ou as imagens estáticas, (o tempo na sua forma pontual) questões que elevam o espírito e a mente nos fazendo refletir de todas as formas possíveis, e proporcionando uma nova e instigante perspectiva do que pode ser o tempo na sua completude.
O sentimento humano presente, que se estende por toda existência, e o dilema de “ser” no momento presente, e "ser" a cada novo momento. Ser um algo novo, e ainda quem sabe, ser o “acúmulo” do já foi nos primórdios da existência.
O cinema arte de Alexander Kluge pode ser perigoso pois, usa a linguagem simples cinematograficamente para implantar ideias que faz do tempo o personagem principal, ainda que com esforço, podendo ser assimilado de uma maneira que nunca tínhamos percebido antes ou que achávamos que não era possível perceber.
Algum dia, em algum tempo eu alcanço o senhor Alexander Kluge!por enquanto fico com as impressões pra lá de positivas!