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Diferentes grupos de amigos vagam em um mundo chuvoso, escuro e onde venta muito. Eles passam um tempo juntos, tentando fugir de seus empregos deprimentes, vagando constantemente em direção ao mistério de novas possibilidades.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Segundo filme que integra um projeto ousado do diretor argentino Eduardo Williams, produzido em oito países, como Brasil, Argentina, Peru e Taiwan - o primeiro foi ‘O auge do humano’ (2016), premiado no Festival de Locarno, e de forma proposital Williams pulou a segunda parte diretamente para a terceira, agora. Um grupo de amigos saem por aí num dia escuro e chuvoso, na tentativa de escapar dos seus dias tediosos e do trabalho sacrificante. Perambulam por lugares estranhos e são envoltos em uma atmosfera mística e contemplativa dentro de florestas e campos abertos.
Documentário e ficção andam juntos nesse filme-ensaio/experimental com atores amadores improvisando e filmados em longos planos sequências; o diretor investe em câmera 360 graus, com grande ocular, além de cenas silenciosas e com muita simbologia, o que faz desse trabalho uma obra complexa e para público específico.
Exibido nos festivais de Locarno, Toronto, San Sebastián, Nova York, Rio de Janeiro e na Mostra Intl. de São Paulo, o filme está nos cinemas pela distribuidora recém-lançada no mercado brasileiro Retratos Filmes.
POR FELIPE BRIDA - BLOG CINEMA NA WEB
Que filme alucinante, que loucura, que coisa genial! Já havia tido contato com o diretor, através do curta-metragem PARSI, e fiquei fascinado pelo modo como ele conjuga militância LGBTQIA+ com experimentalismo formal, porém, aqui, as camadas de imersão e subversão são ainda maiores: seja pela montagem que concatena, de maneira quase (ou melhor, literalmente) estroboscópica situações ocorridas em Taiwan, peru ou Sri Lanka, seja pelos diálogos que beiram o surrealismo cotidiano, seja pelo clímax suspensivo, seja pela fotografia acachapante em 360 graus, seja pelo perfeito desenho de som, sejam pelas similaridades sinópticas entre esta jóia contemporânea e a obra-prima ETERNAMENTE SUA, de Apichatpong Weerasethakul. Em ambos os casos, o dilema entre a necessidade de conseguir emprego e a urgência em fugir do trabalho para aproveitar a natureza, o sexo e a vida como um todo. Fiquei em transe durante a projeção. Assistir a este filmaço em tela grande deve ser uma experiência mui singular. Amei: que não haja o segundo capítulo só torna o projeto ainda mais genial; que eu tenha recebido esta pauta no dia em que volto das férias, idem! (WPC>)