K. (Ulrich Mühe) é um agrimensor enviado a um vilarejo, a trabalho. Lá, descobre a existência de um castelo misterioso, ao qual apenas alguns privilegiados têm acesso. Ele decide conhecer o lugar a todo custo, mas logo percebe que a tarefa não será fácil.
Um dos desconhecidos filmes de Haneke que se sai melhor que o esperado.Trabalha novamente com os medos e angústias do protagonista,muito bem desenvolvido dessa vez.
>Maratona Michael Haneke - Assistido em 05 de Março de 2024
O livro é melhor que o filme. Acaba de repente. Um homem perdido, em meio a várias situações, preso num labirinto burocrático.
"From the director of funny games and the piano teacher"
Ai fica parecendo que esse filme foi só um experimento porque é bem diferente dos outros dele k
"O Castelo" é meu livro favorito, então eu já esperava alguma decepção vinda da adaptação. Mas o diretor é excelente então estava um pouco otimista,
Mas caramba, esse filme erra em todos os sentidos. Como adaptação, é preguiçosa e faz um ridículo uso de narração, que deixa o filme ainda mais cansativo. Eu odeio essas adaptações que parecem trabalho de escola, com um narrador de fundo lendo o livro enquanto os atores ficam seguindo os comandos. Fica artificial, tosco, quase cômico.
Além dessa péssima ideia de fazer do filme um resumão encenado da obra, eu acredito que nem pra compreender melhor o livro ele serve. Na verdade, quem não leu o livro deve ter ficado o tempo todo se perguntando "que porra é essa?", já que o filme pula partes inteiras que ligam um fato no outro no livro (E isso porque o livro já é confuso, o filme piorou ainda mais a situação dos que não entenderam).
Tantas formas interessantes de levar "O Castelo" pro cinema, e fazem isso. As únicas coisas boas do filme são as básicas. Bons atores, nenhum se destaca mas são bons. Tecnicamente o filme ta ok. É isso. Péssima adaptação, se não levar em consideração o livro, o filme é ilógico e cansativo.
Sinto que tenho muito a falar sobre esse filme ao mesmo tempo que creio que não quero falar nada! Meio que exatamente a atmosfera do filme. Chama atenção a provável inexistência do castelo e me fez indagar se Kafka não teria deixado o Castelo incompleto propositalmente exatamente para causar essa sensação de que não se chegou a lugar algum. Um ode ao cansaço físico e mental, de uma trama impossível. Um agrimensor que não mensura nada, ajudantes que não ajudam em nada, prefeito que não realiza nada, professor que não dá aula de nada, mensageiro que não entrega nada e provavelmente o cocheiro que não leva nada pra lugar nenhum. A normalização burocrática que travou tudo enquanto o frio e a neve toma conta das relações desgastadas. Um complexo e total descontrole claustrofóbico niilista assustadoramente perturbador e infinito. Um estado catatônico onde o frio quebra a vontade e a loucura distorce a ordem. Me recordei ao assistir de Satirycon de Felinni um filme feito em moldes parecidos por trabalhar em cima de um fragmento de cerca de 25% da obra original. O final é frustrante, mesmo que já esperado, evidenciando ainda mais a minha suspeita quanto aos objetivos de Kafka. Os ajudantes me fizeram recordar também dos personagens de Funny Games, a atmosfera remete também a tempos do lobo e a fita branca. O incomodo imagético marca registrada de Haneke em filmes como caché, código desconhecido e fita branca já podem ser sentidos aqui. A relação com Frida me lembrou de certa maneira a professora de piano, mas sei lá, talvez estivesse paranoico demais em ligar pontos. Não é um filme gostoso de se assistir, mas pra quem é fã do Haneke, e ao mesmo temo do Kafka eu diria indispensável pela proposta. Quero ler o Castelo pois se já me senti claustrofóbico com a metamorfose este embolo de diálogos vazios e incessantes que o livro traz como proposta vai ser uma aventura desafiadora. Sem contar que acredito que me fará crescer como roteirista no ponto em que há o desenvolvimento de uma narrativa que "não caminha" e funciona por mais que incomode. A importante citar também um trabalho sonoro diferenciado neste filme. Em Amour e Funny Games Haneke trabalha muito bem com os elementos sonoros mas nesse filme há de se destacar o incômodo sonoro para acentuação da incompreensão coletiva. ABSURDO! Eu recomendo que assistam, mas não assistam se quiserem ser feliz! haha