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Documentário sobre a paixão pelo cinema realizado durante a 30ª Mostra. O projeto reuniu afetivamente críticos e cineastas, brasileiros e estrangeiros, e deu a todos a mesma importância. Os cineastas e suas equipes fazem os filmes, mas o processo artístico só se completa mesmo, em toda sua plenitude e abrangência, no olhar erudito dos críticos, que contextualizam as obras no cenário global e atuam como agentes culturais tão fundamentais quanto os próprios criadores. São, na verdade, dois lados de uma mesma criação artística. É uma afetuosa investigação minimalista, com lentes macro em hiper-plano-detalhe dos olhos de jornalistas como Inácio Araújo, Maria do Rosário Caetano e Neusa Barbosa, entre outros, além de realizadores como Arnaldo Jabor, Cao Hamburger, Lírio Ferreira, Tata Amaral e Walter Salles, o diretor de fotografia Walter Carvalho e o alemão Wolfgang Becker (que integrou o júri da 30ª Mostra). Sem enveredar pelo laudatório, o documentário também presta uma homenagem à Mostra que, há décadas, reúne o que há de melhor no cinema brasileiro e mundial.
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Como se consegue fazer algo tão chato sobre um assunto tão fascinante?
Não gosto do Evaldo Mocarzel. Apesar desta implicância (fundamentada) particular, abri o coração para o filme, tamanha a leveza com que o tema parece ser inicialmente conduzido: não é uma tese, apenas um conjunto de impressões! Neste sentido, alguns dos críticos mais importantes do Brasil e cineastas em atividade confessam-nos como descobriram o cinema, como esta arte os afeta, o que mais os marcaram nas sessões da renomadíssima Mostra Internacional de Cinema de São Paulo... As entrevistas, obviamente, são irregulares (vide o desagrado que causa a autopromoção de Lírio Ferreira e a primeira aparição rabugenta do Luiz Carlos Merten), mas os depoimentos emocionados e emocionantes de Florinda Bolkan e Ruy Castro são ótimos, bem como as menções às obras tarkovskianas, sokurovianas, kiarostamianas, angelopoulosianas, pelechianas, fellinianas ou oliveirianas que mais seduzem os entrevistados... Gostei muitíssimo da amplitude da proposta do realizador, que ouve as preferências de um número impressionante de cineastas brasileiros. Mas foram os críticos que mais me emocionaram, além do genial jogo de olhares (lentes, pupilas, óculos) proposto por Walter Carvalho ao teorizar sobre a formação da visão do recém-nascido: tudo a ver com o tema do filme, a cinefilia passional. Mal-finalizado (por causa das inabilidades afobadas do seu realizador), mas interessantíssimo e obrigatório em sua proposta. Vale a pena ser visto, revisto, ouvido, sentido, guardado, etc.... (WPC>)