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Duração
Após um acidente nuclear, jovem atriz que se preparava para interpretar Ofélia, precisa se hospitalizar para o tratamento da irradiação que sofreu. Seus colegas de companhia descobrem que um cogumelo mágico brotou aos pés de uma árvore, perto da Torre Eiffel, e está sendo utilizado para curas milagrosas. Segundo a lenda, trata-se de uma planta rara que surge em épocas de profundas mudanças na ordem natural. E o único elemento ao qual ele não se adapta é a luz. Em busca de seu poder, o grupo teatral também terá que lidar com as bruscas mudanças que o caos desencadeia em suas relações.
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Assisti ao filme sem pesquisar nada sobre ele, por sugestão de um comandante cineclubista, e tão logo o fiz, mergulhei num debate conduzido por pessoas encantadas pela obra e encantadoras por si mesmas. Assim, aquilo que eu já gostara na sessão foi melhorado, no cotejo com as opiniões e impressões de outrem, com as observações inteligentes e sensíveis sobre a biofilmografia do realizador e o contexto parisiense de produção. Assim que o filme acabou, a impressão dominante era a de que eu tinha assistido a uma espécie de versão (intencionalmente) anticlimática de alguma trama rivetteana. A radiação surge como paranóia onipresente, mas, ainda pior, é o esvaziamento cultural da sociedade em que vivem aqueles personagens, em que nem mesmo Shakespeare é bem-quisto. Atores e personagens se confundem, e as elipses aumentam a cada nova interação entre as pessoas, o que nos obriga a preencher as lacunas, e trazer o que é exposto na trama para a nossa própria realidade, enquanto premonição, no que tange às situações de crise programadas pelo Capitalismo, que se beneficia da inação dos seres pensantes. Uma ode à intelectualidade referenciada enquanto provedor de cura, não obstante as mentiras progressivamente contadas até mesmo por quem amamos. Um filme de amor e sobrevivência. Doloroso no que expõe, mas que soou-me como esperançoso, ao apregoar a importâncias dos diálogos e encontros. Agradeço ao cineclubista supramencionado, enquanto metonímia, por apresentar-me ao diretor. Voltarei a ele, visse? Tu conseguiste: hei de superar os preconceitos que costumam direcionar aos macmachonistas! (WPC>)
- Nunca levanta sua voz.
- Isso é bem o seu jeito.
-Você sempre se preservou.
- Que agasalho maravilhoso
é o silêncio.