Curta metragem em que, por meio de anúncios, o diretor chegou a um grupo de homens para os quais pediu que lessem textos históricos que remeteriam ao primeiro Rei de Portugal, Dom Afonso Henriques. Aos poucos João Pedro Rodrigues para se interessar pelos corpos que se apresentam como leitores, muitas vezes tensos, posados, como a esperar de uma voz de comando que viesse do diretor, no sentido de lhe organizar a apresentação; eram corpos absolutamente subordinados, guiados mesmo, como parece ser a nossa vida inteira. A observação instaura uma curiosidade: “o que seriam cada uma das marcas existentes nesses corpos?” , “seriam voluntárias ou não?”, “E as cicatrizes, o que ela pode dizer ou não sobre quem as possui?”, “E as tatuagens?”. Muito embora o corpo também tenha uma fala poderosa, o diretor resolve acrescentar a fala de cada pessoas o elas tem a dizer sobre suas marcas. Logo após, Rodrigues retorna ao Rei Afonso e solicita, por exemplo, que manipulem uma espada réplica da utilizada pelo Rei. Os homens se postam diante de um chroma-key verde, no qual, ocasionalmente, são apresentadas imagens da estátua do monarca. A exigência de exposição do corpo, creio eu, deve ter sido uma exigência constante da chamada de pessoas para o texto, o que se pode perceber, dado que não temos grandes constrangimentos. O curta é genial, e eu espero ver mais coisas desse diretor e do cinema português como um todo. Quando não há a barreira da língua estamos mais propensos a pensar sobre as criações estrangeiras e os portugueses, apesar do monte de piadas, de lado a lado, é um povo muito criativo. Gostei muito!
Finalmente tive acesso a esta obra-prima concomitantemente historiográfica e iconoclasta, aula corporal de Sociologia mui aplicada, hino soberbo de respeito às origens dúbias de uma tradição régia nacional. Os depoimentos dos entrevistados - em sua maioria, desempregados - são lancinantes em sua demonstração de que os problemas que enfrentamos aqui no país (anterior colônia de Portugal) são enfrentados também na variação contemporânea de nossa antiga metrópole colonizadora. Alguns dos homens são muito bonitos, mas não é isso que importa para o diretor: a intenção da câmera é reconstituir uma saga narrada pelo ponto de vencedores questionáveis em sua continuidade de poder e influência ao longo dos séculos. Absolutamente genial e visualmente inebriante em sua simplicidade calculada. Soberbo! (WPC>)
João Pedro Rodrigues e sua capacidade criativa q perpassa a história de Portugal e aspectos centrais da contemporaneidade. O filme trata da transição do corpo mítico e soberano, através do corpo do primeiro rei de Portugal D Afonso, para um corpo esculpido (há quase uma sacralização em torno disso) e fetichizado centro de nossos atuais padrões. A leitura de documentos históricos de reverencia ao rei, através dos corpos nus, onde se simula um teste para atores em busca de emprego é uma sacada sem igual! Além da transposição das estátuas do rei com os corpos dos atores. Porém a realização é aquela mais caseira e espontânea possível. Para aqueles q apreciam uma boa dose de criatividade e intriga! ,)
Em busca de um ator para encarnar o primeiro rei de Portugal, o ousado cineasta João Pedro Rodrigues transforma um simples teste de elenco em um instigante desfile de virilhas, barrigas tonificadas e peitorais definidos. Puro fetiche!
Curta metragem em que, por meio de anúncios, o diretor chegou a um grupo de homens para os quais pediu que lessem textos históricos que remeteriam ao primeiro Rei de Portugal, Dom Afonso Henriques. Aos poucos João Pedro Rodrigues para se interessar pelos corpos que se apresentam como leitores, muitas vezes tensos, posados, como a esperar de uma voz de comando que viesse do diretor, no sentido de lhe organizar a apresentação; eram corpos absolutamente subordinados, guiados mesmo, como parece ser a nossa vida inteira. A observação instaura uma curiosidade: “o que seriam cada uma das marcas existentes nesses corpos?” , “seriam voluntárias ou não?”, “E as cicatrizes, o que ela pode dizer ou não sobre quem as possui?”, “E as tatuagens?”. Muito embora o corpo também tenha uma fala poderosa, o diretor resolve acrescentar a fala de cada pessoas o elas tem a dizer sobre suas marcas. Logo após, Rodrigues retorna ao Rei Afonso e solicita, por exemplo, que manipulem uma espada réplica da utilizada pelo Rei. Os homens se postam diante de um chroma-key verde, no qual, ocasionalmente, são apresentadas imagens da estátua do monarca. A exigência de exposição do corpo, creio eu, deve ter sido uma exigência constante da chamada de pessoas para o texto, o que se pode perceber, dado que não temos grandes constrangimentos. O curta é genial, e eu espero ver mais coisas desse diretor e do cinema português como um todo. Quando não há a barreira da língua estamos mais propensos a pensar sobre as criações estrangeiras e os portugueses, apesar do monte de piadas, de lado a lado, é um povo muito criativo. Gostei muito!
É até didático.
Finalmente tive acesso a esta obra-prima concomitantemente historiográfica e iconoclasta, aula corporal de Sociologia mui aplicada, hino soberbo de respeito às origens dúbias de uma tradição régia nacional. Os depoimentos dos entrevistados - em sua maioria, desempregados - são lancinantes em sua demonstração de que os problemas que enfrentamos aqui no país (anterior colônia de Portugal) são enfrentados também na variação contemporânea de nossa antiga metrópole colonizadora. Alguns dos homens são muito bonitos, mas não é isso que importa para o diretor: a intenção da câmera é reconstituir uma saga narrada pelo ponto de vencedores questionáveis em sua continuidade de poder e influência ao longo dos séculos. Absolutamente genial e visualmente inebriante em sua simplicidade calculada. Soberbo! (WPC>)
João Pedro Rodrigues e sua capacidade criativa q perpassa a história de Portugal e aspectos centrais da contemporaneidade. O filme trata da transição do corpo mítico e soberano, através do corpo do primeiro rei de Portugal D Afonso, para um corpo esculpido (há quase uma sacralização em torno disso) e fetichizado centro de nossos atuais padrões. A leitura de documentos históricos de reverencia ao rei, através dos corpos nus, onde se simula um teste para atores em busca de emprego é uma sacada sem igual! Além da transposição das estátuas do rei com os corpos dos atores. Porém a realização é aquela mais caseira e espontânea possível. Para aqueles q apreciam uma boa dose de criatividade e intriga! ,)
Em busca de um ator para encarnar o primeiro rei de Portugal, o ousado cineasta João Pedro Rodrigues transforma um simples teste de elenco em um instigante desfile de virilhas, barrigas tonificadas e peitorais definidos. Puro fetiche!