Michael é um mecânico que afirma ter experimentado uma revelação divina no deserto. Mas, longe de acreditar nele, os moradores da aldeiam o tratam como um louco. Uma tarde, ele descobre que um amigo de infância teve um acidente em uma cidade distante. Michael decide deixar tudo o que tem, e parte em uma peregrinação com os pés descalços e cura-o como um milagre.
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O longa é despretensioso ao contar uma história simples e cheia de boas mensagens. Os atores são pessoas da própria comunidade e por isso a falta de profissionalismo é sentida, mas isso só enobrece.
"Eu vou lhe contar uma história..."
O cristo cego que há em mim, saúda o cristo cego que há em você. E nessa Terra, quem tem um olho é esperto.
Não conhecia filme e diretor, mas fui fascinado pelo título e pela sinopse. O ritmo é lento, os eventos são esparsos e a lógica dominante é a das narrativas orais, numa espécie de hipertrofia do estilo de John Sayles. O personagem principal possui um tipo de angústia que angaria rapidamente a nossa afeição: substitui o que o aflige pela fé, "o som que preenche o vazio". Não possui grandes arroubos de dramaticidade, mas comunica e fascina. É um bom registro latino-americano. Merece ser descoberto! (WPC>)
Sempre é interessante ver uma produção com atores locais, ainda mais do seco e praticamente desabitado Deserto do Atacama.
Michael não é cego (em nenhum sentido), na medida em que se mostra sensível aos problemas dos outros. Isso merece destaque, principalmente, pelo modo como é mal tratado, ainda assim se importa com a dor do próximo. As histórias que conta (no mesmo estilo das parábolas bíblicas de Jesus) são interessantes, pois chamam atenção dos que escutam.
A primeira história que conta é a sua própria. Depois fala do artesão que construiu o presépio, mas esqueceu de rezar. Faz isso criticando a adoração da imagem. Conta também a história do pai dele, que não acredita mais em deus, depois da morte da esposa. História clássica inclusive. Conta também a história de Jesus que tenta curar uma guriazinha com insônia. Essa parte merece destaque por Jesus ser representado por um indígena e não por um árabe, como se faz tradicionalmente. Um delicado cuidado do diretor e do roteirista. Nada mais correto!!!A última e mais interessante história é a do matador de aluguel, que após sair da prisão tenta se suicidar e acaba encontrando o amor. Mostrando que as vezes pode ser necessário (quase) morrer para (re)nascer.
Ele não ignora os que ele cruza no caminho: a senhora que lhe deu pão, quando ele ficou preso pelas pessoas da gruta, ele ajuda a dar banho na sua mãe; o guri que queria ser jogador de futebol e pede para acompanhá-lo na viagem, batiza as crianças a pedido da comunidade esquecida pela Igreja Católica, apedido do zelador e dos pais e; o drogado que está vivendo na casa de seu amigo, ele também tenta ajudar. É verdade que ele não consegue (aparentemente) curar ninguém, mas talvez sua importância seja em fazer ressurgir a fé pelo seu exemplo. Ao não curar seu amigo, ele calça novamente as botas! Qual será o simbolismo disso????
Importante se dar conta, que ele acolhe o guri que tem anseios de ser jogador de futebol. Consegue ser agradável com a mãe dele e, ao fim, retorna para viver com eles. Isso mostra que de fato, Michael, o "Cristo Cego" não é cego aos outros. O batismo das crianças também mostra isso.
Ao final, ele retorna a casa do pai e toca o sino antes de entrar na casa. Assim como lhe disse o zelador a capela esquecida no meio do deserto: " - A fé é o som que veio para preencher o vazio do silêncio". Por isso seu pai que havia lhe dito para não retornar, o recebe e se ajoelha.
Pode-se questionar se, ao retornar para a família que ele conheceu, ele desiste de sua suposta missão. Seria uma menção a "Última tentação de Cristo?"
Ressalto que ele não é cego, porque geralmente filmes onde o protagonista tem um objetivo e é obstinado por ele (O livro de Eli, Na natureza Selvagem, etc), deixa passar pessoas e situação sem se importar, porque nada é maior que seu objetivo final. Ao menos esse filme foge desse péssimo modelo.
Eu esperava mais. Não sei, talvez mais fantástico, mesclando crenças locais. Mais embates nos diálogos, mas enfim, o esforço foi válido.
Esse drama chileno é mais interessante pela mensagem do que pela condução. É uma narrativa lenta, com belas paisagens do deserto em contraste com a vida simples e atrasada das comunidades. Considerando que o elenco (exceto Michael que é ator) é constituído pela população local, até que se saiu bem, mas os diálogos que poderiam ser mais filosóficos devido a premissa ficaram meio rasos. De qualquer forma a mensagem final – de que Deus está dentro de cada um de nós e não em imagens ou igrejas, é bonita. Vale conferir, mas exige dedicação pois o filme é bem contemplativo e às vezes um pouco confuso.