Oida foi preso por atropelar duas pessoas. Com os dias de cárcere no fim, ele entra em um acordo com seu companheiro de cela: em troca de metade de 30 milhões de ienes, ele deve assassinar três estranhos. Esse é o início de uma trama em que nada é o que parece.
Outro filmaço do Gosha! Nakadai fabuloso como sempre.
Diferente dos primeiros que vi do diretor porém muito bom também.
O terceiro filme de Hideo Gosha é um neo-noir de trama rocambolesca, onde um presidiário prestes a deixar as grades - nem chega a ser um criminoso pois cumpre pena por dois homicídios culposos de atropelamento - é cooptado por outro presidiário, esse sim um assaltante e fraudador, a assassinar três homens, supostamente criminosos. Desiludido devido a causa da morte de inocentes, e sem nada a perder, o protagonista aceita a proposta. No entanto, ao longo de sua jornada, Oida se envolve num jogo onde ele mais atua como testemunha do que como agente causador.
Hideo Gosha é muito bom diretor. A cena de abertura é estilosa, já adiantando o clima do cinema Yakuza dos anos setenta - O Dinheiro Invoca o Inferno é de 1966 - e a trilha sonora numa pegada ocidental, jazzística, para enfatizar o clima noir. O roteiro se desenvolve bem, causando surpresa em diversos momentos.
O Dinheiro Invoca o Inferno é mais um ótimo exemplar da safra sessentista do cinema nipônico, talvez a década mais proeminente do cinema da Terra do Sol Nascente.
Meio que no clima North by Northwest de ser, o personagem do Nakadai se envolve em uma teia de crimes na qual faz questão de entrar cada vez mais fundo, mudando seu papel e se aliando aos seus alvos. Um roteiro fantástico muito bem executado. Ótimo filme do Hideo Gosha, meu 10º do diretor.