Um Coreano é sentenciado à morte por enforcamento, mas sobrevive à execução. Nas duas horas seguintes, os executores tentam descobrir uma forma de lidar com a situação.
surpresa pelas pessoas não gostarem desse filme, ele mostra todo o racismo da sociedade japonesa e um passado q mto não conhecemos (literalmente a escravização de coreanos). O filme é um convite ao absurdo: na tentativa de não saírem da linha (absurda da burocracia) o comportamento dos oficiais vai cada vez mais descambando para uma peça de teatro, praticamente dirigem o homem na tentativa de relembrá-lo e, ironicamente, demonstram exatamente as sutilezas q levaram ele a cometer o crime: a infância, a família, o racismo. nesse processo observamos o recalque dos oficiais e a consciência do condenado despertar, mas como toda questão complexa da sociedade seguimos as ordens e tentamos não pensar muito a respeito da Justiça para nós mesmos não cairmos em angústia. Acredito que a confusão crescente do filme é proposital para que o espectador também não consiga mais ter ctza do q está acontecendo e o final, nos tornando cúmplices, pra mim é genial
Depois de uma narração introdutória perturbadora de tão impessoal e objetiva descrevendo a execução, a partir do ponto em que esta falha e o drama se inicia, a câmera funciona quase como o ponto de vista de um observador passivo, o espectador colocado entre os personagens. O tom impessoal que a introdução impôs e deveria ditar a execução é colocado é dúvida porque vemos com uma proximidade quase ilegal aquilo que é protegido pelo caráter oficial da situação. E assim a objetividade que antes parecia caracterizar a execução some, e na verdade nunca existiu. Presenciando com raros cortes e com a maior naturalidade do mundo todas as coisas absurdas que os oficiais fazem pra entrar na mente do condenado e as justificativas ridículas que eles dão quando questionados (não sabendo definir certos crimes, e espelhando suas próprias personalidades nas tentativas de representá-los), com uma ironia brilhante a subjetividade do Estado é exposta. Apesar de predominar, em diversos momentos a perspectiva do observador é substituída pela do condenado, no caso, nos aproximamos mais dele do que os outros personagens e ainda assim passamos muito tempo sem conhecê-lo, só depois, quando o condenado toma o protagonismo e essa segunda perspectiva domina as coisas vão sendo esclarecidas. Ou melhor, quase nada é esclarecido. Novos detalhes tornam quase tudo mais confuso, a cada nova situação, uma surpresa. O absurdo crescente, novos personagens, mudanças súbitas de cenário, repetições, a confusão dominando o público e os personagens ainda que eles não aceitem. Como é possível que quase tudo no filme fique mais nebuloso ao mesmo tempo em que a realidade é progressivamente esclarecida? Entre todas as loucuras que os personagens expressam, a única coisa que vai sendo iluminada nesse processo é a própria existência da subjetividade em todos os envolvidos, incluindo aqueles que não "estão lá": a nação, o Estado e a lei. Nos diálogos dos oficiais fica evidente o contexto histórico que possibilita certos acontecimentos assim como a carga histórica que orienta as ações de uma época (como o racismo do Império Japonês). Ainda que neguem sua existência, essa carga está lá, tendo um uso político, servindo a algum grupo e justificando as maiores atrocidades. É incrível como entre ironias e momentos cômicos o diretor vai trazendo à superfície essa discussão política séria, que afinal esteve ali a partir do ponto em que alguém desprezou a nacionalidade do condenado coreano. Posso ser injusto quando destaco o esclarecimento sobre certos assuntos quando tanta coisa além disso permanece nebulosa no filme, tanta coisa inesperada que a inteligente direção apresenta no momento certo de modo a desorientar cada vez mais, e assim envolve o público naquela confusão geral.
Excepcional.
surpresa pelas pessoas não gostarem desse filme, ele mostra todo o racismo da sociedade japonesa e um passado q mto não conhecemos (literalmente a escravização de coreanos). O filme é um convite ao absurdo: na tentativa de não saírem da linha (absurda da burocracia) o comportamento dos oficiais vai cada vez mais descambando para uma peça de teatro, praticamente dirigem o homem na tentativa de relembrá-lo e, ironicamente, demonstram exatamente as sutilezas q levaram ele a cometer o crime: a infância, a família, o racismo. nesse processo observamos o recalque dos oficiais e a consciência do condenado despertar, mas como toda questão complexa da sociedade seguimos as ordens e tentamos não pensar muito a respeito da Justiça para nós mesmos não cairmos em angústia. Acredito que a confusão crescente do filme é proposital para que o espectador também não consiga mais ter ctza do q está acontecendo e o final, nos tornando cúmplices, pra mim é genial
Depois de uma narração introdutória perturbadora de tão impessoal e objetiva descrevendo a execução, a partir do ponto em que esta falha e o drama se inicia, a câmera funciona quase como o ponto de vista de um observador passivo, o espectador colocado entre os personagens. O tom impessoal que a introdução impôs e deveria ditar a execução é colocado é dúvida porque vemos com uma proximidade quase ilegal aquilo que é protegido pelo caráter oficial da situação.
E assim a objetividade que antes parecia caracterizar a execução some, e na verdade nunca existiu. Presenciando com raros cortes e com a maior naturalidade do mundo todas as coisas absurdas que os oficiais fazem pra entrar na mente do condenado e as justificativas ridículas que eles dão quando questionados (não sabendo definir certos crimes, e espelhando suas próprias personalidades nas tentativas de representá-los), com uma ironia brilhante a subjetividade do Estado é exposta. Apesar de predominar, em diversos momentos a perspectiva do observador é substituída pela do condenado, no caso, nos aproximamos mais dele do que os outros personagens e ainda assim passamos muito tempo sem conhecê-lo, só depois, quando o condenado toma o protagonismo e essa segunda perspectiva domina as coisas vão sendo esclarecidas.
Ou melhor, quase nada é esclarecido. Novos detalhes tornam quase tudo mais confuso, a cada nova situação, uma surpresa. O absurdo crescente, novos personagens, mudanças súbitas de cenário, repetições, a confusão dominando o público e os personagens ainda que eles não aceitem.
Como é possível que quase tudo no filme fique mais nebuloso ao mesmo tempo em que a realidade é progressivamente esclarecida? Entre todas as loucuras que os personagens expressam, a única coisa que vai sendo iluminada nesse processo é a própria existência da subjetividade em todos os envolvidos, incluindo aqueles que não "estão lá": a nação, o Estado e a lei.
Nos diálogos dos oficiais fica evidente o contexto histórico que possibilita certos acontecimentos assim como a carga histórica que orienta as ações de uma época (como o racismo do Império Japonês). Ainda que neguem sua existência, essa carga está lá, tendo um uso político, servindo a algum grupo e justificando as maiores atrocidades. É incrível como entre ironias e momentos cômicos o diretor vai trazendo à superfície essa discussão política séria, que afinal esteve ali a partir do ponto em que alguém desprezou a nacionalidade do condenado coreano.
Posso ser injusto quando destaco o esclarecimento sobre certos assuntos quando tanta coisa além disso permanece nebulosa no filme, tanta coisa inesperada que a inteligente direção apresenta no momento certo de modo a desorientar cada vez mais, e assim envolve o público naquela confusão geral.
Sem comentários. E eu que achei que só houvesse "bombas" feitas pelo cinema brasileiro. Fiquei mais aliviado.
Filme que poderia ser um dos melhores curtas da história se tivesse 20 min de duração e foco nas questões filosóficas envolvidas no tema.