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Uma cafetina que povoou as noites cariocas de prazeres, Betina, determinou no testamento que seu enterro fosse festivo como as noites do Palácio de Cristal, outrora o prostíbulo mais alegre do Rio de Janeiro. Enquanto seus amigos cumprem a extravagante vontade da morta, Otávio se recorda dos momentos felizes vividos nos últimos anos.
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- infelizmente é muito prejudicado pelo machismo nojento e escancarado da época
- mas ainda consegue apresentar muitas tiradas e diálogos inteligentes
- o grupo de amigos boêmios é um show a parte de se acompanhar
Assisti em 11/12/1981, sexta, no canal 5 (hoje SBT), em Sessão Proibida.
Ainda na brincadeira de "Parasita" ser cópia de "Sonho de Verão" o Pedro Ivo perguntou ao Louis Chilson qual filme nacional ele compararia com o "Coringa" e este aqui foi citado. Mais pelo figurino do Jece Valadão do que pelo seu personagem porque enquanto no filme de Joaquim Phoenix o protagonista é perturbado,feito de trouxa e acaba surtando aqui o Jece já é um sacana libertino logo de cara, mais preocupado em deflorar mulheres do que em propagar o caos social, o que não o deixa menos subversivo, pois toda vez que o personagem tenta empreender (quase sempre um negócio ligado à sacanagem) acaba preso.
Por influência de um amigo cantor lírico comunista (Paulo Fortes, roubando a cena) acaba conhecendo alguns revolucionários e o modo como os planos pessoais do protagonista e os objetivos do grupo se entrelaçam é hilário. Mas não se enganem: Não é só o Valadão que é sacana aqui. Todo mundo, com exceção talvez de uma personagem importante para o desfecho da trama do protagonista no filme, apresenta um desvio de conduta em algum momento do filme.
Vale lembrar que o argumento original do filme é texto do Marcos Rey, autor de vários livros da Série Vagalume e também da obra que originou "Paty, a mulher proibida" recomendado pelo Debandalarga em seu canal. Muito do mérito do filme se deve a esse material de origem
O início é promissor, a narração do protagonista, idem. Mas o vai-e-vem narrativo em direção ao enterro titular escancara aquele que é o maior problema do filme: o seu irrestrito machismo, afinal manifesto no corolário matrimonial da virgindade buscada em meio á amoralidade boêmia. seja como for, o roteiro inspirado no argumento de Marcos Rey possui extraordinários momentos isolados e um flerte cômico com militância de esquerda que surpreendentemente não foi completamente interditada na época ditatorial em que foi lançado. O ritmo pieralisiano, porém, é tão enfadonho quanto o de outros de seus filmes biográficos... Uma pena! (WPC>)
"Quem nao nesce
Nao trabalha
nao tem desgosto
nao paga imposto" ... <3 !