Dirigido por
Duração
o jovem Victor Frankenstein retorna da Universidade de Medicina disposto a colocar em prática seu projeto mais ambicioso: criar uma nova vida a partir de partes de corpos de pessoas já mortas. Sua obsessão em dar vida a uma criatura perfeita o leva a cometer um assassinato e sua criação resulta num monstro vingativo insatisfeito com sua condição aterradora. Uma das mais fiéis e assustadoras adaptações da obra de Mary Shelley, recheada de cenas fortíssimas e humor negro.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
The Horror of Frankenstein é uma entrada curiosa dentro da fase tardia da Hammer e acaba funcionando muito mais como uma reinterpretação sarcástica da história clássica do cientista e sua criatura. O filme deixa bem claro desde o início que sua proposta é se concentrar em Victor, muito mais do que no monstro em si — e é justamente nessa escolha que ele encontra seu tom particular.
Ralph Bates entrega aqui uma excelente atuação, trazendo um Victor cheio de personalidade, um sujeito astuto, arrogante, manipulador, mas também repleto de tiradas de humor negro, exatamente como a própria sinopse sugere. O personagem tem um bom desenvolvimento, começando como um jovem brilhante e egocêntrico e progressivamente se afundando em seu próprio trabalho, até o ponto em que nada mais importa para ele.
E isso fica claro no modo como ele destrata Wilhelm, um cara legal e companheiro que não merecia seu final
Da mesma forma, a própria Alys, que já não tinha companhia dele nem na cama e nem no jantar, acaba sendo mais uma peça descartável em sua trajetória.
É até curioso que praticamente todo mundo no filme seja amigo de Victor: o tenente da polícia, o cozinheiro... todos estudaram com ele. E ainda assim, mesmo rodeado de conhecidos e simpatizantes, Victor permanece um idiota emocionalmente incapaz, ao ponto de ter uma gata loira daquela como Elizabeth e simplesmente não dar a menor moral pra ela.
E, para piorar, chega a ser extremamente cuzão ao oferecer o cargo de Alys justamente para Elizabeth, sabendo perfeitamente que ela queria se casar com ele.
O lado feminino do elenco, aliás, é um dos pontos fortes do filme. Kate O'Mara e Veronica Carlson não só entregam boas atuações, como também trazem uma beleza marcante que a Hammer sabia explorar muito bem — com a Carlson sendo, inclusive, uma musa costumeira do estúdio, aparecendo em vários filmes da produtora. Ambas ajudam a equilibrar a presença intensa de Bates e compõem o trio de destaques do elenco.
Quanto ao monstro, interpretado por David Prowse, é impossível ignorar a presença física impressionante dele — literalmente um monstro shapado, que realmente parece uma força da natureza. Prowse, vale lembrar, já era um halterofilista famoso na época, o que explica ainda mais o impacto visual do personagem. O problema é que o filme demora demais para apresentá-lo: o monstro só aparece com mais de uma hora de filme, e quando finalmente surge, já sentimos que essa criatura poderia ter rendido muito mais. E é interessante notar que sempre dá alguma coisa errada com o principal do corpo, o cérebro. Fico até me perguntando: se não acontecesse isso, seria que finalmente daria certo?
O final abraça de vez o clima irônico da narrativa. O monstro é destruído por causa daquela criança chata do caralho, mexendo em tudo enquanto o pai não faz nada — e no momento em que ela puxa o ácido no tanque, já era óbvio que o monstro estava lá. O desfecho ainda guarda uma última provocação ao espectador: Victor saindo impune de todas as merdas que fez. Ele simplesmente usou e desfez de todo mundo, como se suas manipulações não tivessem consequências. É um final climático, cínico e condizente com o tipo de personagem que o filme constrói.
No fim, The Horror of Frankenstein oferece uma abordagem mais irônica e focada no ego desmedido de Victor do que na própria criatura. A força do filme vem justamente das ótimas atuações — especialmente Ralph Bates, Kate O’Mara, Veronica Carlson, e a presença física de David Prowse — e do tom de humor negro que permeia toda a narrativa. Mesmo com seus problemas de ritmo e com a demora injustificável para apresentar o monstro, a produção acaba se destacando como uma curiosa e divertida releitura do mito de Frankenstein.
E apesar de ter muitos bons pontos, o filme é, no fim das contas, mediano.
Assistido em 18/11/2025
Mas Ênfase no Cientista Do que no Monstro(Que Alias Só Aparece Mas de Uma Hora Depois),Achei so Regular!
Assisti em 12/09/1982, domingo, no canal 2 (TV Guaíba, pelo que lembro), em Sessão Dois.
Esse foi um dos primeiros filmes da Hammer que vi. Apesar de não ser tão bom quanto os filmes com o Christopher Lee e Peter Cushing, vale a pena assistir. É mais uma versão do clássico Frankenstein de Mary Shelley. O foco é no barão, já que a criatura só aparece com mais de 1h de filme.
22/01/22