Com O Idiota, Kurosawa utiliza um texto de peso do mestre Dostoiévski. Conheça a história de Kameda, que viaja para Hokkaiko e acaba se envolvendo com duas mulheres. A tragédia acontece após uma perceber que não é amada e decidir tomar providências drásticas quanto a sua situação.
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Kurosawa sem dúvidas foi um dos maiores e seu nome com certeza exerce uma influência gigante e um peso incalculável. Concordo que o cinema como toda forma de arte é muito relativo, por isso vou me conformar com esse média tão alta. Porque pra mim é um filme bem razoável. Estou lendo "O Idiota", de Dostoiévski e até agora não acho que esse filme seja uma boa adaptação. É um filme longo, arrastado e olha que essa cadência em outros filmes de Kurosawa serve para a gente contemplar a cinematografia sempre bela em seus filmes, mas aqui isso não acontece. Não temos nenhuma subtrama, os personagens não são tão bem desenvolvidos, o filme tem cortes excessivos, uma montagem ruim, não dá pra identificar a passagem de tempo aqui e o foco excessivo no romance não desenvolveu as mazelas que o personagem principal passou... Enfim. Vou terminar de ler o livro e retorno aqui.
Kurosawa e Dostoiévski conectados em uma obra não poderia exercer algo diferente da plenitude. Que película maravilhosa! Eu reli o livro no fim de 2024 e foi uma das únicas sensações boas em um ano infernal. Ainda não havia assistido ao filme e, perdoem-me a ignorância, sequer sabia de sua existência. Inicio 2025 mais feliz por estar sendo um ano reconfortante cinematograficamente. E assim pretendo continuar, pois a curadoria esse ano, será impecável. Estou focado nisso.
Boa adaptação de Dostoevsky, porém no final, quem não leu o livro, não saberá realmente o que aconteceu com Kameda e Akama.
Filme muito extenso e tedioso.
O filme é uma adaptação da obra homônima de Dostoevsky, e a ideia aqui é trazer isso para o Japão pós-guerra, mantendo a essência dos temas explorados pelo autor.
Kurosawa enfrentou a dificuldade de condensar uma narrativa complexa e rica em detalhes em um formato cinematográfico, mantendo a integridade da história original.
Apesar da intensidade dramática de Toshiro e sua atuação notável, como é típico em muitos dos filmes de Kurosawa. Ao que parece aqui sua recepção em geral não foi tão bem recebido assim para a época do lançamento, e parte disso pode ter sido atribuído aos cortes feitos pelo estúdio. No entanto, ao longo do tempo, "O Idiota" acabou ganhando certo reconhecimento.
A versão completa do filme, conforme concebida originalmente por Kurosawa, não está disponível atualmente. A perda de parte do material original é considerada uma das tragédias do cinema, já que muitos cineastas e críticos acreditam que a versão completa poderia ter sido uma obra-prima mais completa.
O rigoroso inverno que perpassa todo o filme é uma metáfora para a frieza e o silêncio humano perante as relações sentimentais dos personagens, que não dizem ou não querem dizer o que verdadeiramente sentem e usando de reticências em suas palavras, deixa em seu interior os sentimentos digladiarem como o fogo das chaminés e velas observadas quase que obsessivamente pelos personagens no filme, lembrança de que naquele mundo sem moral à seres humanos carentes de calor. Ao mesmo tempo essas duas metáforas são admoestações do que está por vir na narrativa, pois em seu fim a tragédia é fria como os corpos dos personagens mortos que então sem vida, não tem como queimar ou se digladiarem em seu interior: primeiro a morte daquela que se maculou pelo sexo e dinheiro, depois a morte daquele que era puro e também de seu total oposto, demonstrando assim que mesmo no calor da combustão da alma, o frio fala mais alto e então a morte nos igualará para sempre, como se tivéssemos fartos de óleo em um candeeiro novo que não acende ou nunca se acenderá para iluminar e aquecer no inverno, pois nos encontramos consumidos por dentro desta ventania invernal que assopra as faíscas de nossas almas.