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Ivan Mirosnikov é um jovem atrevido, vivendo na era Gorbachev tenta descobrir o que fazer com sua vida (ele não está na faculdade e o serviço militar obrigatório se aproxima). Enquanto isso ele vive com a sua mãe divorciada e trabalha como mensageiro em um jornal russo. Através do seu trabalho, ele conhece o professor Kuznetzov e sua filha rebelde, Katya. Para irritar o professor, Ivan afirma ter um caso com Katya. Para sua surpresa, Katya confirma a sua história. Prêmio Especial no Festival Internacional de Cinema de Moscou; Prêmio do Júri no Festival de Cinema de Tbilisi; eleito o Melhor Filme do Ano pelos leitores da revista de cinema Sovetsky Ekran.
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Pena que sou zerada em História. Se não fosse, aproveitaria melhor esse filme.
O que vi nele foi um jovem ousado, diferente dos da geração dele, que apenas se reuniam pra se divertir. Porém, na última cena, ele encara seu futuro: o serviço militar.
Perene no retrato da geração russa que cresceu na época da glasnot, nada além disso. Adolescente é um bicho sem graça em qualquer país do mundo. O longa posterior do mesmo diretor, que tem uma pegada mais kafkiana, é ligeiramente superior.
Atual diretor da Mosfilm (o maior estúdio de cinema da Rússia, produtor de centenas de obras marcantes desde a estrutura soviética), Karen Shakhnazarov costuma realizar filmes metafóricos com ar político, que dialogavam com a crise em seu país quando o Socialismo se desmantelava na década de 80. “O mensageiro” é, talvez, o melhor dos trabalhos dele, pontual, e de certa forma, atual, pois trata de uma geração de jovens desiludidos no novo mundo em transformação. Nessa comédia dramática inspirada, o personagem central, o aborrecido adolescente Ivan (Fyodor Dunayevsky, que abandonou a carreira de ator depois de três filmes), sofre pressão da mãe para ou seguir firmemente os estudos ou trabalhar, então opta pela segunda proposta. Consegue emprego como mensageiro de um jornal, e no vai e vem da rotina, aproxima-se de duas pessoas que irão abrir sua mente, um velho professor (o veterano Oleg Basilashvili) e a filha (Anastasiya Nemolyaeva), com quem ele vai conviver mais do que a própria mãe.
No trânsito dessas relações, o diretor discute o fim da Era Gorbachev, mostrando uma sociedade à deriva, sem perspectivas, que presenciava o Socialismo ruir, em meio a uma crise política, social e econômica (o filme é de 1986, estamos falando de anos antes da queda do muro de Berlim e da dissociação da URSS). Há um grau de melancolia no trato da história, reforçado pela bonita fotografia escura e de ambientes internos (casas, escritório), do mestre russo Nikolay Nemolyaev, além de uma trilha sonora eletrônica bem modernosa, assinada por Eduard Artemev (compositor de trilhas de Andrei Tarkovsky, como “Solaris” e “Stalker”).
Ganhou de um prêmio especial no Festival de Moscou, o filme é baseado num romance do próprio diretor, com roteiro escrito por um velho parceiro de cinema dele, Aleksandr Borodyanskiy (juntos fizeram sete filmes, como “Assassinato do Tzar” e “Tigre branco”).
Disponível em DVD pela CPC-Umes, numa cópia restaurada pela Mosfilm, lançada no Brasil em março desse ano.
POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema na Web
Apesar do seu tom humorístico, Kuryer não aborda questões simples: crescimento, relações pessoais, crises políticas internacionais etc. Filmado no início da restauração da decadente burocracia stalinista, capturou muito bem o espírito de seu tempo - e podemos dizer que em cada detalhe.
Degeneração da esquerda, restauração de um capitalismo que já deveria estar sepultado, a decadência social em cada esquina, crise das direções.. Pareço viver eternamente neste filme.
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