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Data de lançamento
10 Junho 2023Duração
Enquanto uma equipe médica tenta entender a rara doença de Maya Kowalski, de 10 anos, eles começam a questionar seus pais. De repente, Maya está sob custódia do estado - apesar de uma família desesperada para trazer sua filha para casa.
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Síndrome da apatia,dear Zachary e agora o mistério de maya , não suporto mais ficar engasgada com esses casos um absurdo triste demais
Nos Estados Unidos, até o amor precisa de atestado médico. Take Care of Maya é o retrato de um sistema que prefere suspeitar do afeto a admitir o erro — um documentário sobre o dia em que o cuidado virou crime e o hospital, tribunal.
A história de Maya Kowalski parece, a princípio, mais uma tragédia médica. Uma menina saudável que começa a apresentar sintomas físicos misteriosos; uma mãe, Beata, enfermeira e imigrante, que faz o que qualquer mãe faria: procura ajuda. Mas o hospital, em vez de curar, diagnostica algo mais conveniente — uma mãe que faz mal à filha. É a velha síndrome de Munchausen por procuração, usada como rótulo e sentença.
O caso de Beata e Maya é difícil de assistir porque inverte o papel que estamos acostumados a ver. Quando se fala em abuso infantil, imaginamos pais cruéis — não pais acusados injustamente. O documentário se apoia nessa inversão para nos puxar aos poucos, até que já estamos completamente dentro do pesadelo junto da família.
De certa forma, já era possível pressentir uma tragédia envolvendo Beata, especialmente pela ausência dela nas entrevistas. Ainda assim, quando o filme revela o suicídio, o impacto é devastador. Take Care of Maya atinge seu ponto mais alto justamente aí, na franqueza dos depoimentos, especialmente os do pai, Jack. Ele fala com uma dor que ainda não cicatrizou — às vezes confuso, às vezes ressentido, mas sempre humano. É impossível esquecer quando ele admite que há dias em que sente raiva da esposa, e outros em que sente apenas falta. Entre o luto e a rotina, ele tenta ser pai e mãe, e é nesse esforço que o documentário encontra sua verdade mais dolorosa: foi preciso uma vida acabar para que outra pudesse continuar.
Mas Take Care of Maya também tem suas limitações. Ele se emociona com o drama, mas hesita em aprofundar o sistema que o produziu. Há pistas de algo maior — uma possível “indústria” de acusações, protocolos que viram lucro, tribunais que se curvam aos hospitais —, mas o filme não mergulha ali. Prefere a comoção à investigação. É compreensível que a equipe não tenha conseguido entrevistar os médicos envolvidos, mas ainda assim sentimos falta de números, dados, contexto. O filme insinua a existência de planos e lucros hospitalares, mas o faz de modo nebuloso. Há outros pais entrevistados, vítimas do mesmo sistema, e suas vozes ampliam a dor — mas não o entendimento. No fim, Take Care of Maya é poderoso na emoção, mas hesitante na denúncia.
Mesmo assim, o que fica é o desconforto. A ideia de que qualquer pai ou mãe, no lugar certo e na hora errada, pode ser engolido por uma máquina que não recua. Take Care of Maya não é apenas um relato de tragédia familiar, mas o espelho de uma sociedade que exige provas até do amor — e onde, às vezes, é preciso uma tragédia pessoal para que o mundo perceba o absurdo.
heartbreaking. :((( chorei pau a pau com Dear Zachary. muito pesado :(
Meu deus, que dor no coração assistir a esse documentário. Chorei horrores. Esses monstros destruíram a família, a menina não pode nem dar um último abraço na mãe. Muita crueldade mesmo! Pesado. Por sorte, no fim do ano passado, finalmente conseguiram a indenização! Isso dá um alívio, mas não trará a Beata de volta, nem os anos e momentos perdidos da família em sofrimento.
Me desencadeou um novo medo! Que história mais triste e injusta.