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O silêncio se interpôs entre os dois. Não havia outro modo de estarem juntos. Tudo era calado. Resíduos de um cotidiano que buscava um reencontro consigo mesmo. Fotografias. Caixas. Coisas. O amor corta feito a água fria do rio no inverno desesperado de um Sul que não tem lugar, faz correnteza. O desamparo é a vida vibrando feito a água estourando o caminho de pedras e flores.
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A proposta é inequivocamente ousada: o diretor estende ao máximo a imersão temporal do espectador em relação ao desamparo do protagonista, confiando bastante na entrega actancial de Marcilênio Arruda, que fica completamente sozinho em cena por 40 minutos e que só pronunciará ou ouvirá uma palavra humana por volta dos minutos de duração (excetuando-se os ótimos discos autorais que ele ouve enquanto cozinha). A fotografia do filme é belíssima e, por mais que este anti-romance está longe de ser ruim, ele extenua, para além da identificação desolada: os elementos que permitam a empatia em relação ao personagem são exíguos, e as condições de classe evidenciam-se de maneira negativa. Termina sendo uma reflexão sobre os lamentos afetivos dos muito privilegiados. Sincero, mas distante da realidade da maior parte da platéia: falha na comunicação, portanto, o que é outro tema sub-reptício da obra. Será que, no enfrentamento via revisão, gostarei mais? Sentir aquilo, eu já senti. Sinto agora, aliás! (WPC>)